Em 2004, Turquia quer negociar para entrar na UE

A Turquia está disposta a apoiar a reunificação de Chipre, desde que seja estabelecida a data de 2004 para o início das negociações sobre seu ingresso na União Européia (UE), informaram hoje fontes diplomáticas. Essa oferta, que contaria com integral apoio dos Estados Unidos, seria debatida amanhã durante reunião entre o primeiro-ministro turco, Abdulah Gul - acompanhado de Recep Tayyip Erdogan, líder do principal partido político turco -, o presidente francês, Jacques Chirac, e o chanceler alemão, Gerhard Schroeder. Chirac e Schroeder participam, com os demais 13 colegas da UE, de uma cúpula histórica na capital dinamarquesa, para ratificar a admissão de mais 10 países, a partir de 2004. Eles propuseram 2005 para começar a debater a aspiração turca. O governo turco classifica essa data de "tardia" e ameaça rever seu papel dentro da Europa se ela for mesmo adotada - fato que preocupa seriamente o governo americano, interessado em manter a Turquia na órbita ocidental e obter o apoio de Ancara a um eventual ataque militar ao Iraque. Chipre consta da lista de países que serão admitidos pela UE dentro de dois anos. Mas a ilha está dividida desde o início da década de 70, entre cipriotas gregos e cipriotas turcos. Os 15 países da UE gostariam de ver Chipre reunificada, dentro do plano proposto pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, que segue o modelo suíço de federação. Se isso não for possível, a UE, embora contrariada, vai admitir como membro apenas o setor grego da ilha. As negociações entre os cipriotas gregos e turcos são mediadas pelo diplomata peruano Alvaro Soto. Hoje, o líder cipriota grego, Glafcos Clerides, se encontrou com o mediador peruano na capital dinamarquesa. Era aguardada também a presença do líder cipriota turco, Raul Denktash, que não compareceu por razões de saúde. Ele está passando por uma bateria de exames médicos em Ancara. Soto lamentou a ausência: "Espero que ambas as partes aceitem a proposta do secretário-geral da ONU", disse ele. "Vou insistir nisso até o último momento." Com uma população de 790 mil habitantes e Produto Interno Bruto estimado em US$ 9 bilhões, as comunidades grega e turca da ilha entraram em choque a partir de 1974, quando o então regime militar da Grécia apoiou um golpe de Estado grego em Chipre e o Exército da Turquia invadiu, em conseqüência, o norte da ilha, cuja população é majoritariamente de origem turca. Desde então, malograram várias tentativas de reunificação - com vetos alternados da Grécia, cristã ortodoxa, e da Turquia, muçulmana. As divergências e conflitos entre esses dois países remontam aos tempos do Império Otomano (turco). Hoje, as relações melhoraram e a Grécia até se manifestou favoravelmente ao ingresso da Turquia na UE - medida que conta com o apoio irrestrito de aliados incondicionais dos Estados Unidos na região, como Grã-Bretanha, Itália e Espanha. O presidente George W. Bush recebeu nesta semana na Casa Branca Erdogan, presidente do Partido da Justiça e do Desenvolvimento, vencedor das últimas eleições gerais turcas. O líder turco é um fervoroso adepto do rápido ingresso de seu país na UE e pediu a intercessão de Bush junto aos governos europeus - principalmente França e Alemanha, defensores de um prazo mais elástico para desencadear as negociações. Sobre essa pressão, Per Stig Moeller, chanceler da Dinamarca (país que exerce a presidência rotativa da UE), comentou: "O importante para a Turquia não é o que os Estados Unidos pensam, mas o que os chefes de Estado europeus vão decidir."

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