DON EMMERT / AFP
DON EMMERT / AFP

Em 2010, livro de Woodward expôs divisões do governo Obama

'Obama's Wars' retratou disputa entre os principais membros da equipe de segurança nacional do então presidente democrata em relação à permanência ou retirada de soldados americanos do Afeganistão; Casa Branca não negou conteúdo da obra

O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2018 | 14h13

WASHINGTON - Em setembro de 2010, Bob Woodward lançou o livro Obama's Wars (As Guerras de Obama, em tradução livre) que trazia detalhes até então inéditos de como a permanência ou a retirada dos EUA da Guerra do Afeganistão dividia a Casa Branca. De um lado, estavam os líderes militares que desejavam ficar no país e até ampliar as tropas americanas em combate. Do outro, estava o presidente, que queria uma estratégia para retirar os soldados americanos de lá.

De acordo com o livro, alguns dos mais importantes membros da equipe de segurança nacional de Barack Obama duvidavam de sua estratégia para o Afeganistão e passaram quase dois anos discutindo entre si sobre a questão.

Além das disputas internas do governo americano, a obra também continha revelações sobre a contínua batalha do país contra terroristas. Woodward relatou que a CIA mantinha um "exército secreto" de 3 mil homens no Afeganistão. Eles faziam parte da chamada Equipe de Perseguição e Contraterrorismo, composta principalmente por afegãos cujas responsabilidades eram capturar ou matar combatentes do Taleban e tentar obter apoio em áreas tribais. 

Obama's Wars também descreve o então presidente americano como uma pessoa extremamente profissional, que distribuía "lições de casa" para seus assessores, mas que estava irritado com o que considerava uma tentativa dos comandantes militares de forçá-lo tomar decisões com as quais ele não concordava totalmente.

Depois da publicação livro, a Casa Branca enviou uma nota ao site Politico em que não negava as revelações do autor. "O presidente se depara com a revisão [dos procedimentos sobre o Afeganistão] e durante todo o processo de tomada de decisões como comandante chefe é analítico, estratégico e decisivo, com uma visão ampla da história, da segurança nacional e de seu papel", dizia o texto.

Carreira sólida

Woodward, que construiu uma extensa carreira como repórter e editor do Washington Post, teve amplo acesso a funcionários e documentos do governo para escrever a obra, incluindo uma entrevista exclusiva com Obama. Após o vazamento de trechos do livro Fear: Trump in the White House (Medo: Trump na Casa Branca, em tradução livre), com relatos sobre o governo de Donald Trump, o atual presidente contestou o conteúdo da obra e acusou Woodward de trabalhar para os democratas.

Entre outras obras, ele publicou quatro livros sobre o governo de George W. Bush: Bush at War (2002), Plan of Attack (2004), State of Denial: Bush at War, Part II (2006) e The War Within: A Secret White House History (2006-2008) (2008). 

Woodward também é autor, junto com Carl Bernstein, de Todos os Homens do Presidente (All the President's Men, de 1974), sobre o escândalo Watergate - revelado por ambos e que resultou na renúncia do presidente republicano Richard Nixon, em 9 de agosto de 1974. / COM NYT E WASHINGTON POST

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