Scott Olson/AFP
Scott Olson/AFP

Em 4º debate republicano, candidatos focam em imigração e gastos militares

Performance de Marco Rubio foi superior a de Jeb Bush, que propôs rejeição a algumas regras aprovadas na gestão Obama e centrou suas críticas em Hillary Clinton

Cláudia Trevisan, Correspondente/Washington, O Estado de S. Paulo

11 de novembro de 2015 | 08h15

WASHINGTON - Imigração, gastos militares e a resposta à expansão da presença da Rússia no Oriente Médio foram os temas que mais dividiram os oito pré-candidatos do Partido Republicano à presidência dos EUA que participaram do debate promovido pela Fox Business na noite de terça-feira.

Depois de subir nas pesquisas com sua proposta de deportar os 11 milhões de imigrantes indocumentados dos EUA, Donald Trump ficou na berlinda, sob ataques do governador de Ohio, John Kasich, e do ex-governador da Flórida, Jeb Bush. “Esse é o problema conosco. Nós precisamos ganhar a presidência e o caminho para ganhar a presidência é ter planos pragmáticos”, declarou Jeb, logo depois de dizer que os democratas estavam festejando a apresentação de propostas como a de Trump. “Para os 11 milhões de pessoas, vamos falar a sério, nós não podemos pegá-los e despachá-los para o outro lado da fronteira”, ressaltou Kasich.

Jeb e Kasich representam a ala mais experiente e tradicional do Partido Republicano, que enfrenta a emergência de candidatos novatos defensores de propostas radicais, como Trump e o neurocirurgião Ben Carson, que lideram as pesquisas de opinião.

Mais jovem pré-candidato na disputa pela presidência dos EUA, o senador republicano Marco Rubio rechaçou questionamentos sobre sua falta de experiência para comandar a maior economia do mundo e apresentou seu eventual enfrentamento com a democrata Hillary Clinton como uma escolha entre o passado e o futuro.

Rubio, de 44 anos, teve mais uma vez uma performance superior à de Jeb, fortalecendo sua posição perante os setores tradicionais do Partido Republicano. Carson, Trump e Rubio - que aparece em terceiro lugar nas pesquisas - se declararam contra a elevação do salário mínimo, fixado atualmente em US$ 15 a hora. Na avaliação do bilionário do setor imobiliário, os salários nos EUA já são elevados e seu eventual reajuste reduziria a competitividade internacional do país.

Os oito pré-candidatos que participaram do evento se uniram em defesa da redução do tamanho do Estado e da regulação governamental da economia. Jeb propôs a rejeição de todas as regras aprovadas durante a gestão de Barack Obama sobre questão ambiental, energia, internet e uso da água. Em uma mudança em relação ao debate anterior, ele não atacou Rubio e centrou suas críticas em Hillary.

Mas Jeb teve dificuldades em se projetar durante o debate e foi um dos pré-candidatos que menos falou. Quando ele tentou fazer um aparte em uma intervenção do governador de Ohio, John Kasich, recebeu uma ajuda condescendente de Trump: “deixe o Jeb falar”.

Rubio, Carson e Jeb propuseram uma política externa agressiva, com fortalecimento da presença americana no Oriente Médio, enquanto Trump disse que os EUA não podem continuar a ser “a polícia” do mundo. Carson e Rubio foram especialmente hostis com a Rússia e Vladimir Putin, a quem o senador descreveu como um “gângster”.

O neurocirurgião propôs a ampliação do número de forças especiais americanas no Oriente Médio e a destruição do califado criado pelo Estado Islâmico. “Nosso objetivo não é contê-los. É destruí-los”, afirmou. Perdendo terreno para Carson nas pesquisas, Trump se declarou a favor da presença da Rússia na Síria e disse que conheceu bem Putin quando ambos participaram de um programa de entrevistas na TV americana.

“Ser a favor de Putin estar na Síria é como jogar Jogo Imobiliário”, respondeu Jeb. “Putin está tentando ampliar sua influência no Oriente Médio”, disse Carson. “Não podemos abrir mão de nossas posições lá.”

Gastos militares. Mais radical entre os pré-candidatos republicanos na defesa da redução do papel do Estado, Rand Paul defendeu a redução dos gastos militares e da presença americana no exterior, pelo que foi acusado de “isolacionista” por Rubio.

"Quero uma defesa nacional forte, mas não quero que fiquemos falidos". "Não sei como você pode ser conservador e, ao mesmo tempo, liberal no orçamento militar", disse Paul a Rubio, que defendeu o aumento nos gastos militares.

"Não podemos ter economia se não temos segurança. Tenho certeza que o mundo é um lugar mais seguro e melhor quando os EUA são a potência militar mais forte do mundo", se defendeu Rubio, que, com essas palavras, arrancou uma das maiores ovações da noite entre o público presente no evento. "Sei que Paul é um isolacionista comprometido. Eu não", acrescentou o jovem senador.

Paul respondeu afirmando que não acredita que o país esteja mais seguro "com cada vez mais dívidas". O também senador Ted Cruz entrou na conversa e argumentou que é possível defender o país, e ao mesmo tempo, manter a responsabilidade fiscal. "Se defender esta nação é caro, tente não defendê-la. É possível defender o país e ser responsável com as contas", opinou o senador pelo Texas.

Trump comentou que seu país precisa das "Forças Armadas mais fortes do que nunca". "Estou de acordo com Marco e Ted, não temos escolha", comentou o magnata. /COM EFE

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