Em 5 anos, Brasil gasta R$ 6,6 bilhões em cooperação

Entre os anos 90 e 2000, País deixou a condição de receptor de doações para se tornar fornecedor; foco é ONU e missões de paz

AMANDA ROSSI, ESTADÃO DADOS, , O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2013 | 02h07

O Brasil gastou pelo menos R$ 6,6 bilhões em cooperação internacional de 2005 a 2010, um reflexo da mudança de perfil do País no cenário internacional. Até o final da década de 90, o Brasil era um tradicional receptor de ajuda externa. Nos anos 2000, porém, passou à condição de fornecedor de recursos com a chamada "política Sul-Sul", com foco nos países em desenvolvimento.

De cada R$ 10 gastos, R$ 5,50 foram contribuições a organizações internacionais, como agências da ONU, e outros R$ 2 foram despesas com operações de manutenção de paz - a principal delas, no Haiti, onde o Brasil comanda o componente militar da missão das Nações Unidas. O restante do dinheiro foi usado com ajuda humanitária, transferência de tecnologia e bolsas de estudo a estrangeiros.

Os cálculos foram feitos pelo Estado com base nas duas edições do levantamento Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) - o único registro disponível sobre o tema. Na quinta-feira, a instituição liberou os números relativos aos gastos do Brasil em 2010.

Os dados de 2005 a 2009 foram divulgados em 2011 e os valores, corrigidos pela inflação. O Ipea levantou as informações em 91 órgãos públicos.

A mesma mudança de perfil ocorreu em outras economias emergentes, como China, Índia e Turquia. De 2001 a 2011, Pequim teria gasto US$ 75 bilhões apenas em ajuda a países africanos, de acordo com o levantamento do Center for Global Development, um centro de estudos de Washington, nos EUA.

Antes do crescimento dos gastos dos países emergentes, a cooperação internacional era fornecida quase que exclusivamente pelos 24 países que compõem o Comitê para a Assistência ao Desenvolvimento, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entre eles Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Japão e Holanda.

Atualmente, os doadores da OCDE continuam a ser os mais importantes doadores do mundo, tendo desembolsado juntos cerca de US$ 688 bilhões de 2005 a 2010. Gastos em 2010. O Brasil gastou R$ 1,9 bilhão com cooperação (ou R$ 1,6 bilhão, em valores não corrigidos pela inflação) em 2010. O montante representa um salto de 91% em relação a 2009.

O maior aumento ocorreu nas despesas com operações de manutenção de paz. De 2009 para 2010, os gastos sob essa rubrica cresceram 3,6 vezes, totalizando R$ 684 milhões - 36% do total daquele ano. O aumento foi causado pelo terremoto que arrasou o Haiti, em janeiro de 2010, que elevou o número de militares brasileiros no país.

Outros 33% foram contribuições a organismos internacionais - um total de R$ 641 milhões. De cada R$ 10, R$ 3 foram para Associação Internacional de Desenvolvimento do Banco Mundial, R$ 2,5 para o sistema ONU, e R$ 2 para o Fundo para a Convergência Estrutural e o Fortalecimento da Estrutura Institucional (Focem), do Mercosul.

Apenas 6% - R$ 101 milhões - foram gastos com projetos de cooperação técnica, em que instituições brasileiras transferem tecnologias e conhecimento para outros países. Entre eles, estão as iniciativas desenvolvidas pelo governo em parceria com a Fiocruz, o Senai e a Embrapa. Do total aplicado diretamente em outros países, a América Latina ficou com 68% e a África, com 23%.

*Corrigido em 8/8: US$ 688 bilhões foram gastos com cooperação internacional de 2005 a 2010 pelo conjunto dos países do Comitê para a Assistência ao Desenvolvimento, da OCDE, e não apenas por Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Japão e Holanda.

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