Em alta, Lieberman prega linha dura contra árabes

Ultradireitista pede pena de morte para deputados israelenses que se reunirem com líderes do Hamas

Peter Beaumont, O Estadao de S.Paulo

07 de fevereiro de 2009 | 00h00

Há duas versões de Avigdor Lieberman, de 50 anos, nascido na União Soviética, líder do Partido Israel Beiteinu (Israel Nosso Lar): o jovem candidato e o Lieberman de meia-idade. As duas imagens do ex-leão-de-chácara de boates, originário da Moldávia, que ameaça deixar o Partido Trabalhista de Israel num humilhante quarto lugar nas eleições de terça-feira, parecem quase idênticas, de início. Mas o que impressiona é algo como uma volúpia e a fome no sorriso do Lieberman mais jovem; seus olhos têm um olhar de cumplicidade e presunção. A versão mais velha mostra a máscara do político, achatada, com todo o caráter suprimido. As duas versões são calibrada para mostrar o sério participante da arena política que Lieberman aspira a se tornar. Saído da grande comunidade de língua russa do país para liderar o partido nacionalista, com uma mensagem forte e simples - "sem lealdade não há cidadania" -, galvanizou um eleitorado que buscava um novo homem forte para substituir os combatentes de idade mais avançada, como Ehud Barak, líder do Partido Trabalhista, e Binyamin "Bibi" Netanyahu, líder do Likud.E, em um país que parece pender cada vez mais para a direita, o fenômeno representado pelo partido de Lieberman começou a colher votos fora de seu reduto de imigrantes russos.São pessoas atraídas pelo discurso duro de Lieberman sobre a transferência de vilarejos árabes-israelenses, como Umm al-Fahm, para fora de Israel; pela insistência na aplicação de testes de lealdade para os árabes; e pela mensagem ultrarradical direitista sobre questões de segurança que dizem respeito aos palestinos.Ele exige pena de morte para parlamentares árabes-israelenses que se encontram com líderes do Hamas e pede o bombardeio dos postos de gasolina palestinos. Referindo-se ao presidente Hosni Mubarak, do Egito - parceiro fundamental de Israel em todo acordo sobre Gaza -, Lieberman disse que ele poderia "ir para o inferno".Enquanto ele se tornava mais popular no contexto da guerra em Gaza, a imprensa israelense começou a divulgar uma série de acusações contra ele.Lieberman é acusado de pertencer à organização Kach, hoje proibida, quando chegou a Israel - o partido ultrarracista do rabino Meir Kahane (assassinado em Nova York, em 1990), considerado um grupo terrorista. E Lieberman foi atacado, no outro lado da equação política, por manter reuniões secretas com palestinos. Foi também reaberto um caso de fraude - há muito tempo no esquecimento - que envolve o político e sua família. Lieberman reflete a posição dos eleitores que acreditam que, depois do conflito de Gaza, será preciso adotar uma estratégia ainda mais dura. Ele se refere à imposição da força, muito além da que já se emprega em Gaza. "Uma vitória real só poderá ser alcançada quebrando a vontade do Hamas de lutar contra nós, como ocorreu com os japoneses nos últimos dias da 2ª Guerra", diz.

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