Andrew Caballero-Reynolds/AFP
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Em ano eleitoral, Trump diz que vai participar de marcha antiaborto

A decisão de Trump vem em um momento em que o país aprova duras restrições ao procedimento de interrupção da gravidez.

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2020 | 17h00

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu participar nesta sexta-feira, 24, da Marcha Pela Vida, a reunião anual de manifestantes antiaborto do país. Será o primeiro presidente da história americana a participar do ato pessoalmente.

Várias vezes desde que se elegeu Trump afirmou ser 'pró-vida', mas favorável a exceções, como estupro e incesto. 

A decisão de Trump vem em um momento em que o país aprova duras restrições ao procedimento de interrupção da gravidez.

A polêmica decisão de Trump reforça a divisão no país em relação ao tema. Em um ano eleitoral em que a polarização sobre este e outros temas deve dominar as discussões.

Para Entender

A situação do direito ao aborto nos Estados Unidos

Alabama e outros Estados aprovaram leis para dificultar e, em alguns casos, impedir a realização do aborto e tentar forçar a Suprema Corte a rever a decisão de 1973 que reconheceu o direito dessa prática no país

Enquanto outros presidentes se comunicaram com os líderes da manifestação anual por telefone ou enviaram vídeos de saudações, Trump decidiu discursar pessoalmente no evento.

Sua aparição foi anunciada no 47º aniversário da decisão Roe v. Wade, de 1973, em que a Suprema Corte dos EUA estabeleceu o direito ao aborto.

Em um ano eleitoral, Trump vem tentando reforçar o vínculo com grupos que se opõem ao aborto. No começo do mês, Susan Anthony List e seu grupo anti-aborto anunciaram que gastariam US$ 52 milhões para ajudar na reeleição do presidente e trabalhar para proteger a maioria republicana no Senado dos EUA, informou o site Politico.

Direito ao aborto

A Marcha pela Vida começou em 1974, um ano após a decisão Roe v. Wade, e passou a incluir vários eventos associados, incluindo missas católicas, um serviço nacional de oração, uma conferência e uma exposição.

A manifestação em Washington começará com o discurso de Trump, e a marcha seguirá em direção à Suprema Corte.

Em 2017, logo após a posse de Trump, Mike Pence se tornou o primeiro vice-presidente a participar pessoalmente da manifestação, e Trump apareceu em um vídeo via satélite, emocionando a multidão. 

Trump enviou saudações em vídeo em 2018 e 2019, quando Pence apareceu novamente pessoalmente.

“Olhamos nos olhos de uma criança recém-nascida, vemos a beleza e a alma humana e a majestade da criação de Deus. Sabemos que toda vida tem sentido", disse Trump no vídeo de 2019, antes de listar as ações antiaborto de seu governo e prometer rejeitar qualquer legislação que "enfraqueça os esforços para impedir o acesso ao aborto”.

A presidente da Marcha pela Vida, Jeanne Mancini, e outros líderes antiaborto disseram no ano passado que queriam incluir uma “audiência politicamente diversa”, com a participação de qualquer pessoa que se oponha ao aborto. 

Pesquisas indicam que pelo menos um quarto dos eleitores democratas são favoráveis à restrição de direitos pró-aborto, embora os democratas antiaborto no Congresso estejam diminuindo rapidamente.

Em seu anúncio na quarta-feira de que Trump falaria na sexta-feira, Mancini elogiou o histórico do governo sobre o aborto. “Desde a nomeação de juízes pró-vida e trabalhadores federais, passando pelos fundos dos contribuintes para abortos aqui e no exterior, até pedindo o fim dos abortos tardios, o Presidente Trump e seu governo têm sido apoiadores consistentes da vida e seu apoio à Marcha Pela Vida tem sido inabalável”, disse ela. /W.POST e AFP

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