Paul Faith/Reuters
Paul Faith/Reuters

Em ato histórico, rainha Elizabeth II e ex-dirigente do IRA apertam as mãos

Gesto comprova êxito do processo de paz e sela a reconciliação entre dois antigos inimigos

Efe,

27 de junho de 2012 | 11h08

BELFAST, GRÃ-BRETANHA - Em um ato histórico, a rainha Elizabeth II e o vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte e ex-comandante do extinto Exército Republicano Irlandês (IRA), o republicano Martin McGuinness, apertaram as mãos durante uma reunião realizada em Belfast.

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O encontro foi realizado a portas fechadas em um teatro da capital norte-irlandesa, mas foi registrado pela imprensa e divulgado pelas cadeias britânicas. Elizabeth II está na Irlanda do Norte como parte das comemorações de seu Jubileu de Diamantes, que celebra seus 60 anos no trono do Reino Unido.

O gesto comprova o êxito do processo de paz e sela a reconciliação entre dois antigos inimigos, representados pela soberana e o ex-dirigente paramilitar, símbolos do vínculo da província com o Reino Unido e da oposição à presença britânica na Irlanda do Norte, respectivamente.

Além dos dois, vários outros governantes e personalidades participaram do encontro. Depois da reunião, a comitiva percorreu as instalações do Teatro Lírico de Belfast para apreciar obras de arte ao lado de Elizabeth II, que escolheu roupas verdes, cor da Irlanda, para a ocasião.

Um porta-voz do Sinn Fein, braço político do IRA, disse que o partido preferiu não participar das celebrações do Jubileu e afirmou que o encontro de McGuinness e Elizabeth II se insere no contexto do processo de paz.

Há cerca de um ano, o Sinn Fein se opôs à visita que a rainha realizou para a Irlanda, a primeira de um monarca britânico a esse país desde sua independência do Reino Unido, em 1921.

Na ocasião, a formação republicana considerou que as feridas do passado ainda não tinham se fechado, mas segundo McGuinness a opinião do partido mudou quando a rainha reconheceu em Dublin o sofrimento causado na ilha por algumas ações das forças de segurança britânicas.

McGuinness reconheceu que a própria soberana sofreu na carne com o conflito, pois seu primo Lorde Mountbatten, tio preferido do príncipe Charles, morreu num atentado do IRA perpetrado na República da Irlanda em 1979.

A bem-sucedida visita de Elizabeth II à Irlanda do Norte será encerrada hoje com uma grande festa no Castelo de Stormont, sede do Parlamento norte-irlandês, numa celebração que deverá receber 20 mil pessoas. 

 

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