AFP PHOTO / DON EMMERT
AFP PHOTO / DON EMMERT

Em ato inédito, EUA se abstêm em resolução que condena embargo a Cuba

Assembleia-Geral da ONU aprova medida que pede para Washington encerrar o bloqueio, mas é um ato simbólico que não tem valor legal sobre a punição a Havana

O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2016 | 14h59
Atualizado 26 Outubro 2016 | 16h28

NOVA YORK - A Assembleia-Geral da ONU aprovou nesta quarta-feira, 26, uma resolução que condena o embargo econômico americano a Cuba e pede aos Estados Unidos o fim da medida. Pela primeira vez em 25 anos, os EUA se abstiveram na votação, como havia adiantado a embaixadora americana na ONU, Samantha Power. 

Historicamente, a diplomacia americana se opunha à condenação, votada anualmente pelas Nações Unidas. A decisão foi bastante aplaudida pelos 193 membros da Assembleia-Geral. Apesar da abstenção, a diplomata lembrou que os EUA se opõem à visão de que o embargo viola a legislação internacional e ainda mantêm discordâncias com as práticas do governo cubano. 

"Nós estamos profundamente preocupados com as violações de direitos humanos que o governo cubano ainda comete", disse a embaixadora. 

Israel também se absteve na votação. Os outros 191 países aprovaram a adoção da resolução. A resolução não tem valor legal, mas é votada todos os anos. A abstenção americana mostra, segundo analistas, que o governo de Barack Obama está disposto a levantar o embargo como parte da normalização das relações com a ilha. Essa decisão, no entanto, cabe ao Congresso, hoje controlado pelos republicanos.

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, elogiou a decisão americana de se abster, mas lamentou que o embargo continue. "O voto de abstenção seguramente é positivo para a melhora das relações entre nossos países", disse. "Mas o bloqueio econômico persiste, provocando danos ao povo cubano e ao desenvolvimento do país." / AFP, AP e EFE 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.