REUTERS/Darrin Zammit Lupi
REUTERS/Darrin Zammit Lupi

Em ato raro, papa Francisco envia condolências à família de jornalista morta em Malta

O pontífice não costuma se pronunciar oficialmente sobre mortes de civis; Daphne morreu na explosão de seu carro

O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2017 | 17h59

VATICANO - O Papa Francisco lamentou nesta sexta-feira, 20, a morte da jornalista investigativa maltesa Daphne Caruana Galizia, por meio de uma nota de condolências enviada ao arcebispo do país, localizado em uma pequena ilha no Mediterrâneo. A jornalista morreu na segunda-feira 16 após sair de casa, quando uma bomba explodiu seu carro.

O líder da Igreja Católica disse, no texto, estar "profundamente entristecido pela trágica morte de Caruana Galizia e rezava por sua família, o povo de Malta e a nação como um todo neste momento difícil".

Pontífices raramente enviam notas de condolência após a morte de um civil, o que se torna mais comum em episódios de desastres naturais, tragédias envolvendo grande número de pessoas ou morte de líderes mundiais proeminentes.

A nota de condolência foi dirigida ao arcebispo de Valletta, Charles Scicluna, que trabalhou durante anos como funcionário do Vaticano, antes de ser eleito bispo na capital de Malta, sua terra natal. Scicluna condenou o "assassinato brutal" e apelou por "uma decisão unificada para promover a verdadeira democracia".

Malta ficou atordoada com o assassinato de Daphne Caruana Galizia. A repórter era autora de um dos blogs mais populares do país, onde revelou a participação de importantes figuras políticas nos chamados Panama Papers - escândalo mundial de corrupção que envolveu o uso de empresas para esconder dinheiro, divulgado em 2016 pela imprensa de vários países.

Momentos antes de morrer, ela havia publicado um texto em sua página, qualificando a situação do país como “desesperadora”. Ela também escreveu que havia “criminosos em todos os lugares”.

Política. Primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat - alvo freqüente da jornalista - enfrenta pressão para declarar um dia nacional de luto, bem como para garantir uma investigação independente e completa. Um porta-voz do governo disse que a decisão de declarar um dia de luto dependia dos planos para o funeral, que ainda não havia sido definido pois depende dos resultados da autópsia.

O Ministro do Interior, Michael Farrugia, disse à The Malta Independent também nesta sexta-feira que foi dado às forças policiais um "cheque em branco para fazer o que for necessário" para resolver o crime.

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FBI e especialistas forenses holandeses estão em Malta para ajudar, mas o Comissário de Polícia Lawrence Cutajar insistiu que a investigação é da responsabilidade da polícia maltesa.

A reputação de Malta como um paraíso fiscal, suas ligações com a Líbia e explorações offshore de funcionários do governo descobertos pelo vazamento de documentos no caso Panamá Papers foram apenas alguns dos tópicos que Daphne Caruana Galizia tinha descoberto antes de sua morte. Houve seis atentados com carros-bomba em Malta nos últimos dois anos, incluindo Caruana Galizia. Nenhum foi resolvido até o momento./AP

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