AP Photo/Pablo Martinez Monsivais
AP Photo/Pablo Martinez Monsivais

Novo chefe do FBI contradiz Trump e nega perseguição

Em audiência de confirmação no Senado, nome indicado pelo presidente afirma que renuncia antes de se sujeitar a pressão política

O Estado de S.Paulo

12 Julho 2017 | 13h01
Atualizado 12 Julho 2017 | 18h39

WASHINGTON - Em sua audiência de confirmação no Senado, o indicado de Donald Trump para dirigir o FBI, Christopher Wray, prometeu nesta quarta-feira, 12, agir com imparcialidade na busca pela Justiça e disse que prefere renunciar a ceder a pressão política no cargo. Ele negou que esteja havendo uma “caça às bruxas” na investigação sobre a interferência russa nas eleições de 2016, acusação repetida ontem pelo presidente. 

Wray foi ouvido pela Comissão de Justiça do Senado. Ele assegurou que se Trump tentar “inapropriadamente” fazer com que ele desista da investigação, cujo alvo são os possíveis laços da campanha republicana com o Kremlin, ele tentará dissuadi-lo dessa ideia. Se falhar, disse, renunciará ao cargo antes de aceitar tal pressão. 

Segundo o futuro diretor, ninguém pediu a ele nenhum “juramento de lealdade” como parte de sua indicação. “E eu, com certeza, não a ofereci a ninguém”, disse o advogado, ex-funcionário do Departamento de Justiça. Wray foi indicado após a abrupta demissão, em maio, do diretor James Comey em meio à investigação do FBI sobre o papel da Rússia nas eleições e as conexões diretas com pessoas próximas de Trump. 

Em seu pronunciamento inicial na sessão, ele prometeu ser “independente” e “resistir às pressões políticas”, incluindo as da Casa Branca. O advogado se comprometeu a nunca permitir que o departamento – equivalente à Polícia Federal – trabalhe conduzido por “qualquer outra coisa do que a lei, os fatos e a busca imparcial da Justiça”. “Minha lealdade é com a Constituição e com o estado de direito.”

A audiência ganhou ainda mais importância esta semana em razão das revelações de que o filho do presidente, Donald Trump Jr., seu genro, Jared Kushner, hoje seu assessor, e o ex-gerente de sua campanha Paul Manafort se encontraram, em junho do ano passado, com uma advogada russa com a promessa de que ela daria informações que prejudicariam Hillary Clinton, adversária democrata de Trump na eleição. 

Bruxas. Hoje, o presidente americano, assim como fez no dia anterior, defendeu seu filho mais velho, dizendo que ele é inocente. Pelo Twitter, voltou a falar em perseguição. “Meu filho Donald fez um bom trabalho na noite passada”, escreveu Trump em sua conta no Twitter, referindo-se a uma entrevista de Trump Jr. sobre o assunto, que foi transmitida na noite de terça-feira. “Ele foi aberto, transparente e inocente. Essa é a maior caça às bruxas na história da política. Triste.”

O Kremlin voltou a negar ligações com a advogada Natalia Veselnitskaya, que se encontrou com Trump Jr. no dia 9 de junho de 2016, na Trump Tower, em Manhattan. A história foi revelada no fim de semana pelo jornal The New York Times.

O presidente americano atacou a imprensa. “Lembrem-se, quando vocês escutam ‘indicaram fontes’ da Fake News (notícias falsas), muitas vezes elas são inventadas e não existem”, disse ele no Twitter, sem deixar claro se fazia referência a uma reportagem em particular, uma vez que as informações da imprensa sobre o encontro de seu filho com a advogada russa foram confirmadas pelas partes envolvidas. Além do FBI e do Departamento de Justiça, as comissões de Inteligência da Câmara e do Senado conduzem investigações sobre as suspeitas envolvendo a Rússia. / W. POST, AFP e AP 

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