Em audiência, Rebekah Brooks admite que 'News' usou detetives

Ex-diretora do tabloide 'News of the World' pediu desculpas pelos grampos ilegais realizados pelo jornal

19 de julho de 2011 | 14h04

Atualizado às 15h41

 

Rebekah Brooks, ex-diretora do 'News of the World', depõe diante de parlamentares em Londres

 

LONDRES - A ex-editora do tabloide britânico News of the World Rebekah Brooks admitiu nesta terça-feira, 19, que, durante a época em que estava na função, o jornal utilizou o serviço de detetives particulares para obter informações. A admissão foi feita em audiência para parlamentares britânicos, que terminou por volta de 15h20 (horário de Brasília).

 

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"O News of the World empregou detetives particulares como qualquer outro jornal na Fleet Street", disse ela, em referência ao endereço em Londres que já foi sede da maioria dos veículos de informação nacionais. A jornalista acrescentou ainda que "estava ciente sobre o uso de detetives" enquanto era editora do tabloide.

 

Ao ser perguntada se ela teve algum contato, direta ou indiretamente, com Glenn Mulcaire, Brooks respondeu: "absolutamente não". Mulcaire, preso em 2006, era detetive particular. Por meio dele, descobriu-se que havia mais vítimas de grampos do que se pensava.

 

Propinas

 

Brooks, que dirigiu o jornal entre 2000 e 2003, começou a depor na tarde desta terça para o Comitê de Meios de Comunicação da Câmara dos Comuns do Parlamento britânico, em Londres. Ao abrir o depoimento, ela pediu desculpas pelos grampos ilegais realizados pelo jornal e disse que as "alegações de interceptação de voz e na internet de vítimas de crimes são horríveis e repugnantes".

 

Ao comentar o fechamento do tabloide, cuja última edição circulou no domingo, 10, ela disse que "uma vez que você rompe a confiança com os leitores, não há caminho de volta". "Pode ser que agora não se compreenda por que fizemos isso (o fechamento), mas acho que dentro de um ano se entenderá que fizemos a coisa certa".

 

'Motivos errados'

 

Aos parlamentares, Brooks disse ainda que "infelizmente o News of the World costumava estar na liderança pelas razões corretas, mas nos últimos meses, e provavelmente nos últimos anos, (o tabloide) tem liderado por motivos errados". A ex-diretora do jornal disse que "temos (a empresa) nos empenhado para encontrar emprego para cada um deles", em referência às "centenas de jornalistas que não fizeram nada errado".  

 

A ex-diretora do tabloide disse ainda que nunca aprovou "intencionalmente" que jornalistas pagassem propinas a policiais. "Posso dizer que eu mesma nunca paguei a um policial", disse. Brooks afirmou que, se acordo com a própria experiência, "as informações que eles (policiais) dão a jornais vêm de graça".

 

Garota sequestrada

 

Ao ser perguntada se ela se arrepende, Brooks respondeu: "É claro que me arrependo. A ideia de que o telefone de Milly Dowler foi 'acessado' por alguém que estava sendo pago pelo News of the World ou, ainda pior, de que isso tenha sido autorizado por alguém no News of the World é repugnante para mim como é para qualquer um nesta sala".

 

Ela fez referência ao caso da garota sequestrada em 2002, cujo telefone foi grampeado por jornalistas do tabloide. Como as mensagens de voz de Milly Dowler eram apagadas pelos repórteres, a família teve a sensação de que ela ainda estava viva, mas o corpo foi achado depois. O caso deu início ao escândalo envolvendo o jornal.

 

Brooks disse ainda se arrepender sobre a velocidade com a qual os fatos foram descobertos. "Foi muito lento", afirmou.

 

O depoimento de Brooks segue a audiência do magnata Rupert Murdoch e de seu filho, James Murdoch. Segundo ela, o trabalho em "qualquer redação de jornal é baseado em confiança". Ela disse que é preciso confiar nas pessoas com quem se trabalha. "Quero somar minhas desculpas às que James e Rupert Murdoch apresentaram hoje", ela disse.

 

Mais cedo, Rupert Murdoch havia dito que não é culpado pelas escutas ilegais realizadas pelo tabloide em busca de informações. "As pessoas em quem confiei é que são culpadas", afirmou Murdoch.

 

Brooks foi detida no domingo pelo envolvimento no escândalo dos grampos do jornal News of the World e liberada após 19 horas de interrogatório. Na sexta-feira, ela apresentou sua demissão da News International, subsidiária da News Corp., conglomerado de Rupert Murdoch.

 

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