Em baixa, Bush entra na campanha republicana

Sem citar McCain, presidente pede união em torno do candidato do partido

Reuters, Ap e Nyt, O Estadao de S.Paulo

09 de fevereiro de 2008 | 00h00

Sem citar o nome do senador John McCain, o presidente dos EUA, George W. Bush, pediu ontem que os conservadores republicanos se unam para apoiar o candidato indicado pelo partido para concorrer à presidência em novembro. "O que está em jogo em novembro é importante: a prosperidade e a paz", disse Bush. "Por isso, confiantes em nossa forma de ver o mundo e com fé em nossos valores, seguiremos em frente, lutando pela vitória e para conseguir manter a Casa Branca em 2008."O discurso de Bush foi feito em Washington, durante a conferência anual da Ação Política Conservadora - da qual McCain participou na quinta-feira - , e representou a primeira participação do presidente no processo de escolha do candidato republicano à Casa Branca.McCain é o grande favorito na disputa pela nomeação republicana, mas não é bem-visto pelas alas mais conservadoras do partido porque recentemente ficou ao lado dos democratas em temas como reforma fiscal e aquecimento global. O favoritismo de McCain foi reforçado anteontem, depois que Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts e segundo na disputa, resolveu abandonar a corrida pela indicação republicana. Entre as posições do senador que irritam os conservadores está a defesa da reforma da lei de imigração para regularizar a situação dos ilegais. Tanto nesse ponto quanto na guerra do Iraque, porém, McCain se aproxima de Bush (o senador foi contra a retirada das tropas do território iraquiano). Em seu discurso na convenção conservadora, onde foi recebido com vaias e cartazes de protestos, McCain se mostrou extremamente preocupado em reconquistar essa parcela do eleitorado republicano. "Não posso ganhar de Hillary (Clinton) ou de (Barack) Obama sem o apoio de vocês", disse ele na quinta-feira, referindo-se aos pré-candidatos democratas. "Mesmo que vocês achem que eu errei em algumas questões, saibam que na maioria delas fui conservador", completou.POPULARIDADE BAIXAAinda não está claro como Bush pretende marcar sua presença na campanha presidencial deste ano. Hoje, o presidente americano é apoiado por apenas 30% da população. Por isso, alguns republicanos acreditam que ele não seria um bom cabo eleitoral. Ainda assim, o fato de controlar a máquina estatal dá ao presidente alguns instrumentos para tentar interferir na disputa de novembro pela Casa Branca. Bush pode, por exemplo, enviar membros de seu gabinete para Estados nos quais é essencial conseguir apoio para os republicanos ou organizar eventos para centrar a agenda nacional em assuntos prioritários para seu partido. "Essas iniciativas não dariam ao candidato cinco pontos nas pesquisas, mas poderiam fazer a diferença numa disputa apertada, como as que tivemos em 2000 e 2004", diz John Podesta, ex-chefe de gabinete do presidente democrata Bill Clinton. Além disso, Bush ainda tem grande capacidade para atrair recursos - justamente um dos pontos fracos do pré-candidato McCain. O porta-voz da Casa Branca, Scott Stanzel, negou que o objetivo de Bush ao discursar para os conservadores fosse unir o partido em torno de McCain. "Ainda há vários pré-candidatos na disputa", disse Stanzel. "A saída de Romney nos coloca um pouco mais perto do momento em que poderemos anunciar quem será o indicado, mas ainda não chegamos lá", completou.

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