Em baixa, Obama chega a Berlim pela 1ª vez como presidente

Em 2008, quando era candidato, ele discursou para 200 mil alemães na cidade; agora, plateia terá cerca de 4 mil pessoas

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2013 | 02h07

Com a popularidade em queda, o presidente Barack Obama tenta repetir hoje, em Berlim, a façanha de John F. Kennedy, há 50 anos: levantar o moral dos cidadãos oprimidos pelo muro que dividiu a cidade. No Portão de Brandenburgo, Obama defenderá o uso do mesmo ativismo de 1963 para promover a democracia, a não proliferação, a solução pacífica de conflitos, os desafios da mudança climática e o contraterrorismo.

"Todo discurso de um presidente dos EUA em Berlim é um poderoso pano de fundo para a nossa história no pós-guerra", afirmou o conselheiro assistente de Segurança Nacional, Ben Rhodes, durante o voo de Obama da Irlanda do Norte à capital alemã.

A cerimônia no Portão de Brandenburgo lembrará o emblemático discurso de Kennedy, redigido por ele de última hora para agregar suas impressões sobre o impacto do muro na vida dos cidadãos. "Eu sou um berlinense", afirmou JFK.

Obama terá também de superar a si mesmo. Há cinco anos, em campanha pela Casa Branca, o então candidato democrata atraiu uma plateia de 200 mil pessoas no Tiergarten, em Berlim. A revista alemã Der Spiegel estampou na capa: "A Alemanha encontra a superestrela". "A América não tem melhor parceiro do que a Europa", declarou Obama, na ocasião, ovacionado ao repetir sua mensagem eleitoral - "Sim, nós podemos" - e por suas promessas de mudar as políticas de Washington.

Desde então, Obama foi empossado e reeleito. Em quatro anos e meio de governo, esta será sua primeira visita oficial à Alemanha, agendada para um momento em que o governo da chanceler Angela Merkel se disse disposto a reclamar dos abusos dos EUA em seus programas de vigilância.

Entre os alemães, a contínua existência da prisão de Guantánamo e o uso de aviões não tripulados são vistos com alto grau de criticismo. Desta vez, em seu discurso, a plateia será no máximo de 4 mil pessoas. A revista Der Spiegel limitou-se, desta vez, a uma capa mais modesta: "O amigo perdido".

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