Felipe Trueba/Efe
Felipe Trueba/Efe

Em baixa, Piñera reencontra mineiros

Aprovação de presidente chileno despenca a nível recorde por causa de protesto estudantil, dez meses depois de resgate em Copiapó

Nyt, Afp e Efe, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2011 | 00h00

Com a menor popularidade de um presidente chileno desde 1991 - 26% segundo o Centro de Estudos Públicos -, Sebastián Piñera reuniu-se ontem justamente com aqueles que garantiram a ele o período de maior aprovação em seu mandato. O líder conservador participou de uma da cerimônia em Copiapó que lembrou um ano do acidente que prendeu 33 trabalhadores em uma mina de cobre. Na época do resgate, há 10 meses, a popularidade de Piñera atingiu 63%.

Na quinta-feira, a polícia chilena prendeu 874 estudantes durante uma manifestação no centro de Santiago. Desde o início do movimento, há dois meses, as passeatas têm reunido centenas de milhares de alunos do ensino médio e superior, nos maiores protestos desde o fim da ditadura Augusto Pinochet. Os manifestantes reclamam das mensalidades cobradas pelo ensino privado - que atende grande parte do estudantes no Chile - e exigem educação pública de qualidade.

Mais de mil policiais foram deslocados para o centro da capital chilena para conter a manifestação. Houve confronto e cerca de 90 policiais ficaram feridos. Parte dos detidos era menor de idade. Ontem, a cúpula do movimento estudantil reuniu-se em Santiago e convocou uma nova manifestação para terça-feira.

A oposição, dirigentes estudantis e entidades de direitos humanos entraram comuma ação na Justiça contra o ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter. Eles o acusam de autorizar o uso excessivo da força na repressão ao protesto de quinta-feira.

"Ele (Hinzpeter) agiu de forma repressiva. As liberdades constitucionais, como o direito de reunião e de ir e vir, foram violadas", disse a presidente do diretório de estudantes da Universidad de Chile, Camila Vallejo. O governo diz que estava protegendo os direitos de outros cidadãos. "Temos de proteger os direitos de todos", disse o porta-voz Andrés Chadwick.

A Anistia Internacional pediu que as autoridades investiguem as denúncias de abuso da força e evitem excessos em futuros protestos. A ONG disse também que o direito de expressão e de reunião dos manifestantes deve ser garantido.

Greve de fome. Ao menos 29 estudantes de colégios de Santiago mantêm greve de fome por mudanças no sistema educacional chileno. Desde o início do jejum, há duas semanas, eles já perderam de três a nove quilos.

"A saúde deles está estável, mas têm sofrido com insônia, dores pelo corpo e de cabeça", disse o porta-voz do grêmio do colégio Quinta Normal, Miguel Rebolledo, ao jornal La Tercera. "Eles discordam da posição do governo e manterão o jejum até que todas nossas demandas sejam atendidas."

Impasse. Pelo Twitter, Piñera pediu o diálogo aos estudantes. "É tempo de construir e buscar acordos. Convido vocês a dialogar e contribuir para uma educação de qualidade", disse o presidente chileno em seu perfil. Ele também fez um pedido de união ao saudar os mineiros chilenos na rede de microblogs: "Há um ano, a fé moveu montanhas. O Chile uniu-se, com esperança, para encontrar os mineiros."

O movimento estudantil rejeitou a primeira versão da proposta, entregue na segunda-feira. Os representantes dos alunos exigiram que o Estado retire a administração do ensino público dos municípios e proíba as instituições privadas de buscar o lucro. Eles ainda deram um prazo de seis dias para que o governo dê uma resposta.

"Há um erro conceitual dos estudantes em achar que vamos agir sob pressão ou ultimatos", disse o ministro da Educação, Felipe Bulnes. Segundo ele, alguns líderes estudantis rejeitaram a proposta do governo sem ao menos conhecê-la.

"A proposta não é satisfatória a nossas demandas e não foi bem recebida pelos estudantes. Isso foi unânime em todo país", afirmou o dirigente estudantil Giorgio Jackson.

Segundo a pesquisa do CEP, 80% dos chilenos acreditam que colégios e universidades devem ser instituições sem fins lucrativos, como defendem os estudantes. Atualmente, essas instituições usam artifícios legais para lucrar com o ensino privado.

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