Em biografia, Fidel antecipou roteiro de sua sucessão

Em entrevista a Ignacio Ramonet, que se transformou no livro ?Fidel Castro: uma biografia a duas vozes?, publicado em 2006 pela Boitempo Editorial, o presidente cubano driblou o quanto pôde o assunto, mas acabou falando de sua sucessão. "Sabemos que o tempo passa e as energias humanas se esgotam", disse, lembrando promessa feita aos companheiros da Assembléia Nacional em 6 de março de 2003. "Prometi estar com eles, se assim desejassem, todo o tempo que fosse necessário, enquanto soubesse que poderia ser útil. Nem um minuto a menos nem um minuto a mais."Fidel, então, não escondeu a preferência por seu irmão, Raúl, para sucedê-lo. "A pessoa que mais tinha autoridade, mais experiência e mais capacidade para exercer o papel de substituto era Raúl." E praticamente adiantou o roteiro de sua sucessão. "Se amanhã me acontece alguma coisa, com toda a certeza a Assembléia Nacional se reunirá e o elegerá, não resta a menor dúvida. O Escritório Político o elegerá."Ele observou, contudo, que o irmão tem quase a mesma idade que ele. "Temos sorte de os que fizeram a Revolução já terem formado três gerações. Muita gente com muitos méritos", ressaltou. Para concluir: "Sim, algumas gerações já estão prontas para substituir outras." De acordo com ele, a Revolução não se baseia no culto à personalidade. "A Revolução se baseia em princípios. E as idéias que defendemos são, já faz tempo, as idéias de todo o povo."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.