REUTERS/Jim Young
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Anotação de Bolton sobre 'soldados na Colômbia' causa especulações sobre crise na Venezuela

Bloco utilizado pelo conselheiro de Segurança Nacional dos EUA durante entrevista na Casa Branca sobre a Venezuela continha a frase, mas eventual invasão no país não foi citada pelas autoridades americanas

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2019 | 04h12
Atualizado 29 de janeiro de 2019 | 15h01

WASHINGTON - O conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, escreveu em seu caderno "5 mil soldados para a Colômbia" durante entrevista na Casa Branca sobre sobre a Venezuela em que foi anunciado o bloqueio de recursos da petrolífera estatal PDVSA.

Em uma ampliação de fotografias tiradas por vários meios de comunicação durante a entrevista, duas inscrições podem ser vistas no caderno de Bolton: a primeira diz "Afeganistão, bem-vindas as negociações" de paz com o Taleban, enquanto a segunda se refere ao país latino.

Na semana passada, quando o presidente da opositora Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, se autodeclarou presidente interino, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que "todas as opções estão sobre a mesa". Questionada sobre a frase no bloco de Bolton, a Casa Branca reiterou a declaração de Trump, mas não fez comentários adicionais.

A Colômbia é um dos principais aliados dos EUA na América Latina e seu governo também reconheceu Guaidó como presidente legítimo da Venezuela.

Embora Bolton não tenha feito nenhuma menção durante a entrevista sobre esse hipotético envio de soldados para a Colômbia, que faz fronteira com a Venezuela, ele pediu aos militares venezuelanos que apoiem Guaidó.

O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Carlos Holmes Trujillo, disse que o governo do seu país não tem informações sobre a anotação de Bolton.

"Com relação à menção da Colômbia no caderno que o senhor John Bolton tinha em mãos, o escopo e a razão para essa anotação são desconhecidos", disse o chanceler.

Trujillo afirmou que "a Colômbia seguirá dialogando permanentemente com os Estados Unidos sobre todas as questões de interesse comum e cooperando com esta nação amiga em questões bilaterais, hemisféricas e globais".

Em relação à Venezuela, o chanceler colombiano afirmou que o país "seguirá atuando política e diplomaticamente para criar as condições que conduzam a um processo eleitoral que restabeleça a ordem democrática e institucional nesse país". / EFE e AFP

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