DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Em Brasília, Dilma e Vázquez expressam 'preocupação' com crise na Venezuela

Para presidentes de Brasil e Uruguai, chavistas e opositores devem buscar solução pacífica e democrática para crise; Dilma destaca papel da Unasul na resolução de conflitos políticos regionais

Nivaldo Souza e Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

21 de maio de 2015 | 14h55

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff enfatizou nesta quinta-feira, 21, o papel da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) na resolução de conflitos políticos na região. Ela destacou que a Unasul pode estimular o “diálogo e respeito às instituições”.

A defesa da Unasul como órgão de mediação diplomático ocorreu em pronunciamento de boas vindas feito por Dilma ao presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, que foi recebido em cerimônia no Palácio do Planalto nesta quinta. 



A presidente disse que ela e Vázquez têm a mesma “preocupação com a Venezuela”, que vive tensão interna entre a oposição e o governo de Nicolás Maduro. Dilma ressaltou que o “legítimo governo” da Venezuela e os opositores ao chavismo devem buscar um entendimento pacífico e democrático para a crise política do país. “O entendimento entre os venezuelanos interessa ao conjunto dos latino-americanos”, disse Dilma.

Diálogo. Brasil e Uruguai têm mantido diálogo frequente sobre a crise na Venezuela. Em fevereiro, o ex-presidente uruguaio José Mujica aproveitou um almoço com Dilma para discutir a crise política na Venezuela. Na ocasião, o assunto foi trazido à discussão pelo próprio Mujica e tanto ele quanto Dilma demonstraram preocupação com os últimos acontecimentos na região. 

Recentemente o Itamaraty já divulgou uma nota em que cobrava diálogo entre a oposição e o governo de Caracas, demonstrando incômodo com decisão do governo Maduro de prender o prefeito da capital venezuelana, Antonio Ledezma. “São motivos de crescente atenção as medidas tomadas nos últimos dias, que afetam diretamente partidos políticos e representantes democraticamente eleitos, assim como iniciativas tendentes a abreviar o mandato presidencial”, disse a nota da diplomacia brasileira.

A esposa de Ledezma, Mitzy de Ledezma, esteve no Brasil no início deste mês para pedir ajuda ao governo brasileiro para libertar seu marido, que agora cumpre prisão domiciliar por problemas de saúde. Dilma se recusou a recebê-la no Palácio do Planalto, mas enviou uma carta afirmando que o Brasil busca “incansavelmente” ajudar na resolução da crise no país vizinho “dentro do mais absoluto respeito ao Estado democrático”.

Agora, ao lado do novo presidente do Uruguai, Dilma disse que os governos do dois países defendem a manutenção da ordem institucional da Venezuela. “Coincidimos (Brasil e Uruguai) na preocupação com a situação da Venezuela e na avaliação de que seu legítimo governo e as diferentes forças políticas venezuelanas devem solucionar pacífica e democraticamente, no marco institucional do país, os conflitos, as adversidade e os desafios existentes”, afirmou.

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