ANDRE DUSEK/ESTADAO
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Em Brasília, Guterres diz apoiar reforma da ONU

Futuro secretário-geral da organização participou de cúpula da Comunidade de Países da Língua Portuguesa

Lu Aiko Otta e Carla Araújo / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2016 | 20h09

O futuro secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, manifestou nesta segunda-feira seu apoio à reforma do Conselho de Segurança do organismo. Ele afirmou que a ONU precisa de muitas reformas, para tornar-se mais eficaz “e mais ligada aos tempos de hoje, e não aos tempos que corresponderam ao de sua formação”. A ONU foi fundada em 1945, no pós-guerra.

A reforma do Conselho de Segurança foi um dos pontos do discurso que o presidente Michel Temer fez na Assembleia-Geral da ONU, em setembro. O Brasil integra o G-4, ao lado de Japão, Índia e Alemanha, que pressiona pela ampliação do número de assentos permanentes no colegiado. Hoje, eles são cinco: EUA, Rússia, França, Reino Unido e China. 

Para reforçar sua defesa da reforma, Guterres citou a fala de um antecessor, Kofi Annan, para dizer que “não haverá uma reforma da ONU completa enquanto o Conselho de Segurança não for reformado”. Na avaliação do futuro secretário-geral, a reforma da ONU é tarefa primordial dos Estados-membros, mas cabe ao secretário-geral tentar avançar “em algo que está sendo tão difícil nos últimos tempos”. 

Escolhido por unanimidade para o posto de secretário-geral no início de outubro e prestes a tomar posse do cargo, em 1.º de janeiro, Guterres está no Brasil participando da reunião de cúpula da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), formada por Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Durante a abertura da reunião, Temer chegou a propor, para descontrair, que o português fosse adotado como língua oficial da ONU durante a gestão de Guterres. Minutos depois, em entrevista, o futuro secretário-geral foi consultado sobre o tema. “Naturalmente, gostaria muito de ver isso se concretizar, mas essa é uma decisão da Assembleia-Geral das Nações Unidas”, respondeu.

Guterres comentou que a CPLP pode ser uma aliada importante em seu trabalho na ONU, por reunir países de todos os continentes e com presença em todas as organizações regionais. “A CPLP pode ser um importante pilar para que a paz e a segurança se reencontrem em nosso mundo de hoje”, disse. “Como futuro secretário-geral das Nações Unidas, é gratificante para mim contar com a CPLP como aliada fundamental nessa luta pela paz e pela segurança que hoje, em tantas partes do mundo, parece comprometida.”

O Brasil assumiu nesta segunda-feira a presidência temporária da CPLP, por um período de dois anos. Nesse período, disse Temer, a condução brasileira procurará alinhar seus trabalhos com os da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Trata-se de um conjunto de 17 objetivos e 169 metas que buscam eliminar a pobreza e a fome, combater a degradação do planeta e assegurar o progresso econômico e a paz.

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