Marcos Correa/PR
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Em Buenos Aires, Macri e Bolsonaro falam na criação de moeda comum

A questão da unificação monetária foi apresentada em encontro com empresários pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e foi bem recebida

Luciana Dyniewicz, enviada especial a Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2019 | 00h52
Atualizado 07 de junho de 2019 | 13h12

Empresários argentinos e representantes dos governos de Mauricio Macri e Jair Bolsonaro discutiram nesta quinta-feira, 6, a criação de uma moeda comum no Mercosul, que se chamaria “peso real”. Uma fonte argentina confirmou ao Estado que a moeda comum seria resultado natural da intensificação do processo de integração de dois países que adotam políticas econômicas semelhantes.

Desde o início do Mercosul, no início dos anos 90, existe a intenção de se criar uma moeda única. No entanto, choques econômicos, como a desvalorização do real, de 1999, impediram a concretização do plano. A discrepância entre as inflações de Brasil e Argentina, porém, seria um grande desafio. Enquanto a inflação acumulada nos últimos 12 meses no Brasil é de 5%, na Argentina chega a 55%.

O Estado apurou que a questão da moeda comum foi apresentada nesta quinta pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, durante um encontro empresarial no Hotel Alvear, no qual estiveram presentes Bolsonaro e os ministros argentinos Jorge Faurie, de Relações Exteriores, e Dante Sica, de Produção e Trabalho. A proposta foi muito bem recebida, segundo fontes que participaram do encontro.

A criação de uma moeda única para o Mercosul ganhou impulso no fim de abril, quando a Argentina atravessava mais uma fase aguda de sua crise financeira. A ideia havia sido apresentada ao governo de Mauricio Macri meses antes em Washington. Na ocasião, a equipe argentina pediu para que os brasileiros esperassem até que as eleições presidenciais do país passassem, em outubro, afirmou uma fonte.

Com a situação econômica agravada, porém, o ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, foi até o Rio de Janeiro em abril e se encontrou com Guedes. Dujovne pediu para anunciar o projeto, o que foi rejeitado pelo Brasil, apurou o Estado.

A divulgação da informação de que Bolsonaro estava disposto a fazer parte de uma união monetária seria uma ferramenta para impulsionar a popularidade de Macri, que tenta a reeleição neste ano e teve sua imagem golpeada pela crise. A jornalistas, o ministro  Guedes afirmou que a criação da moeda é uma conjectura.

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