Carolyn Kaster/AP
Carolyn Kaster/AP

Em busca de eleitor moderado, Biden se afasta de ala democrata mais à esquerda

Rival de Trump tenta atrair trabalhadores brancos que votaram no republicano na disputa passada, dizendo que eles foram abandonados pelo atual governo; tática tem também o objetivo de afastar o rótulo de radical, usado pelo presidente contra ele

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2020 | 05h00

WASHINGTON - A três semanas da eleição e com milhões de americanos já votando, Joe Biden está se distanciando da esquerda do Partido Democrata e intensificando a busca pelo voto de eleitores moderados e republicanos descontentes, falando em recuperar o voto da classe trabalhadora, perdida em 2016. A estratégia serve de contraponto ao discurso polarizador de Donald Trump e rebate a imagem de socialista radical, espalhada pelo presidente. 

A estratégia ficou evidente na segunda-feira, quando ele passou por Ohio, um Estado que Trump venceu com folga em 2016 graças aos eleitores brancos da classe trabalhadora. Agora, o democrata tenta convencê-los de que eles foram abandonados pelo presidente, que vem perdendo apoio nestes velhos redutos democratas. Na terça-feira, 13, Biden começou um giro de três dias pela Flórida e Pensilvânia, adotando um discurso preparado para os eleitores acima de 65 anos.

A ênfase de Biden reforça a moderação, uma marca registrada de sua carreira política, e ocorre após meses de concessões à ala progressista do Partido Democrata, para consolidar apoio interno. Nos últimos meses, ele foi obrigado a adotar posições mais radicais também em razão da pandemia e dos protestos raciais. Por isso, sua plataforma acabou ficando mais à esquerda do que a de candidatos presidenciais democratas do passado.

“Comigo não haverá Estados democratas e republicanos”, disse Biden em Cincinnati, no Estado de Ohio, na segunda-feira, ao fazer campanha na porta de um sindicato de operários do setor automotivo, onde prometeu não aumentar impostos para quem ganha menos de US$ 400 mil por ano – uma nova versão do populismo que Trump defendeu quatro anos atrás.

O plano de Biden é se concentrar em temas que afetam a vida diária dos eleitores de ambos os partidos, capitalizar a insatisfação com Trump e se consolidar como uma alternativa segura, desideologizada. 

Outra razão da abordagem, de acordo com assessores de Biden, é uma necessidade urgente de responder aos ataques de Trump e seus aliados republicanos, que tentam espalhar a imagem de que ele é um radical de esquerda. “Biden representa a estabilidade”, disse a deputada democrata Elissa Slotkin, eleita em 2018 em um distrito conservador nos subúrbios de Detroit. “A estabilidade é importante, especialmente para as mulheres dos subúrbios que odeiam Trump, mas que estão preocupadas, sem saber se Biden será ruim para o bolso.”

“O argumento é que precisamos unir o país”, disse Mike Donilon, estrategista-chefe de Biden. “Ele não representará apenas democratas ou republicanos, ele representará a todos os americanos.”

Há indícios de que a abordagem de Biden está funcionando, com pesquisas mostrando que ele está abrindo vantagem sobre Trump em Estados-chave. “Biden atrai os moderados, porque sou um deles”, disse Cindy McCain, viúva do senador republicano John McCain, que apoia Biden e faz campanha com ele no Estado do Arizona. Ela disse que recebeu garantias de que os republicanos terão voz, se ele for eleito. 

De acordo com pesquisas, o democrata vem conquistando apoio entre os eleitores negros mais velhos, que tendem a ser mais conservadores do que os negros jovens. Ao mesmo tempo, ele intensificou seu esforço para atrair s mulheres brancas, idosos e eleitores suburbanos, que apoiaram Trump há quatro anos, mas se afastaram dele recentemente. / WP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.