Em busca de influência, País amplia doações

Somadas as doações à Faixa de Gaza e Cisjordânia, o Brasil dará aos palestinos mais de US$ 25 milhões nos próximos anos. Na lista de programas de auxílio, estão de iniciativas para recuperar pastagem e desenvolver piscicultura a doação de carteiras e computadores para escolas.

NUSEIRAT, FAIXA DE GAZA, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2011 | 03h02

Sob a rubrica do Ibas (sigla que reúne as democracias emergentes Índia, Brasil e África do Sul), o País colabora ainda com US$1 milhão na construção de um hospital do Crescente Vermelho em Gaza, que também foi parcialmente destruído por Israel em 2009.

No caso das pontes de Nuseirat, o dinheiro é repassado para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), responsável pela implementação do projeto. Os funcionários da ONU contrataram uma empreiteira local - a Gaza Construction, para a qual Shaat trabalha -, que toca a obra. De tempos em tempos, funcionários do escritório do Itamaraty em Ramallah visitam o local.

Credenciais. A forte aproximação com os palestinos faz parte da chamada política Sul-Sul, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - sob críticas da oposição - elevou ao topo das prioridades do Itamaraty.

"(A ação em Gaza) reflete o discurso do presidente Lula na cúpula do G-8 de Evian (em 2003): acreditamos que temos um papel crescente no mundo em desenvolvimento", diz o porta-voz do Itamaraty, Tovar Nunes. O interesse em particular pela questão palestina, completa Nunes, é reflexo da presença de uma forte comunidade árabe no Brasil e dos "laços históricos" do País com o Oriente Médio.

Para Reginaldo Nasser, professor da PUC-SP, com a ajuda aos palestinos o Brasil tenta aproveitar sua "vocação de mediador" e "apresentar uma face para além do bem e do mal". "O caso palestino é uma forma de se credenciar, sobretudo, com o mundo árabe e islâmico", defende.

Embora o Brasil esteja entre os dez maiores doadores aos palestinos, a contribuição do País representa menos de1% do total da ajuda internacional a Gaza, Cisjordânia e à agência da ONU que cuida dos refugiados, a UNRWA. Nos últimos anos, os EUA doaram em média US$ 600 milhões por ano. No ano da guerra entre Israel e o Hamas, 2009, a cifra subiu para US$ 1 bilhão.

Em retaliação à decisão do presidente Mahmoud Abbas de pedir à ONU o reconhecimento da Palestina como Estado-membro da instituição, o Congresso americano cortou US$ 200 milhões da ajuda. Ainda assim, este ano o total deve chegar a cerca de US$ 500 milhões. / R. S.

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