Em busca de segurança, Tunísia vota em oposição

O partido islâmico da Tunísia foi derrotado nas eleições parlamentares, pagando o preço pelos anos turbulentos de governo após a Primavera Árabe, quando viram o surgimento de diversos grupos terroristas na nação norte-africana. Os eleitores votaram em figuras familiares do passado autoritário da Tunísia, em busca de mais segurança e estabilidade. Mas o peso substancial dos islâmicos no novo Parlamento irá manter a influência do grupo político em qualquer governo futuro.

Estadão Conteúdo

28 de outubro de 2014 | 08h57

Os resultados oficiais da comissão eleitoral estão começando a ser divulgados, com apenas três distritos reportados na manhã desta terça-feira. Mas as pesquisas de boca de urna e a amostragem estatística dos resultados nos locais de votação feitos por grupos de observação resultaram num panorama notavelmente uniforme. O partido de oposição Nida Tunis, liderado por um político veterano do antigo regime autoritário, ganhou cerca de 35% dos assentos do Parlamento, garantindo o direito de apresentar um primeiro-ministro e formar uma coalizão de governo. O partido islâmico Ennahda conseguiu apenas 25% dos assentos.

Os tunisianos podiam escolher entre mais de 100 partidos, mas a corrida, em grande parte, se resumiu entre aqueles que ainda tinham fé no governo liderado pelos islâmicos, e aqueles que escolheram um partido de oposição forte o suficiente. O partido Nida Tunis tem como membros empresários, sindicalistas e muitos políticos do governo do ditador deposto El Abidine Ben Ali.

O partido de oposição se apresentou como a resposta aos moderados islâmicos do partido Ennahda, que têm lutado para guiar o país em meio às turbulências no período pós-revolucionário, depois de ganhar as eleições de 2011. Críticos acusam o governo islâmico de ser compassivo com terroristas e de ter gestores incompetentes.

"Eu prometo restabelecer o estado", disse Beji Caid Essebsi, fundador do Nida Tunis, em entrevista transmitida em rede nacional de televisão na segunda-feira. Essebsi foi ministro do Exterior na década de 80, no governo do primeiro presidente pós-independência, Habib Bourguiba, e assumiu brevemente o cargo de primeiro-ministro após a revolução, em 2011. O líder do partido de oposição evoca os "bons velhos tempos" da Tunísia, com a economia forte e foco em educação, mas ignora os aspectos autoritários do antigo governo.

O Nida Tunis conseguiu aproveitar efetivamente o medo da instabilidade, com o preço dos alimentos pesando sobre a classe média e ataques militantes aumentando a sensação medo entre os tunisianos comuns. "O resultado é a expressão da desilusão dos tunisianos com os últimos três anos", disse o analista da Universidade de Túnis, Chawki Gaddes. "A situação da economia se degradou e surgiram movimentos jihadistas que nunca tinham existido na Tunísia", disse.

No entanto, o partido islâmico Ennahda pode acabar tendo apenas 10 ou 15 assentos a menos do que o Nida Túnis no Parlamento de 217 membros, tornando-se uma força política difícil de ignorar. Em reação a derrota, o partido comemorou o resultado, que classificou como "uma vitória para todos os tunisianos". As autoridades parabenizaram o país por promover eleições livres e tranquilas. "Todo o mundo Árabe gostaria de ser tunisiano hoje, para aproveitar todas estas liberdades democráticas", disse o fundador do Ennahda, Rashed Ghannouchi. Fonte: Associated Press.

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