Em Cabul, estrangeiros vivem cercados e com medo da morte

Protegidos por forte esquema de segurança, muitos passam até três meses sem sair às ruas da capital

Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo,

20 de julho de 2009 | 08h32

Em Cabul, os estrangeiros vivem em uma bolha kafkiana. Com medo de sequestros e ataques à bomba, a maioria só se locomove em carros blindados e com motorista. Ninguém pega táxi. Andar na rua, só em alguns poucos locais considerados seguros.

 

Veja também:

linkCampanha tem 3 fortes candidatos

blogPatrícia Campos Mello faz o diário do conflito no Afeganistão em seu blog

A capital afegã se transformou em uma cidade fortificada. Muitos lugares têm três portas de entrada, com câmaras e guardas fortemente armados. Todos os prédios do governo, de ONGs e estabelecimentos militares estão guardados por sacos de areia e muros altíssimos com arame farpado.

"Estamos ficando cada vez mais alienados. Existe um risco real, mas há também uma grande paranoia. Cabul não é como Kandahar", diz um alemão, que trabalha para a União Europeia, referindo-se à província mais violenta do país.

As regras de segurança para estrangeiros são tão rígidas que muitos nem chegam a por o pé na rua. Grande parte deles cumpre um toque de recolher. A ONU tem uma lista de lugares "aprovados" para seus funcionários, como restaurantes considerados seguros. Alguns funcionários do governo americano não são sequer autorizados a caminhar na rua. "Tem gente que vem para o Afeganistão, chega ao aeroporto e fica três meses na embaixada sem nunca sair à rua", contou um diplomata americano.

Funcionários de ONGs, que têm regras de segurança menos rígidas, circulam mais pela cidade, mas não sem custo: o Afeganistão já é o segundo país em mortes de funcionários de ONGs, depois do Sudão. De janeiro a março, foram 37 ataques a funcionários de ONGs e 20 sequestros.

À noite, os expatriados se concentram no L'Atmosphere, um lugar surreal, com mesas românticas, velas e piscina, frequentado por funcionários da ONU, de ONGs, militares e jornalistas.

Apesar de toda a segurança, ninguém senta nas duas mesas mais próximas da muralha. "Um dia vão jogar uma bomba aqui. Eu sempre digo que é a última vez que venho", disse o fotógrafo Marco di Lauro, da Getty Images, que já foi 40 vezes para o Afeganistão.

O L''Atmosphere é um alvo óbvio para ataques de insurgentes, assim como a pousada Gandamack, o restaurante Cantina e o hotel Serena, lugares que concentram estrangeiros. Ano passado, militantes do Taleban invadiram o Serena e mataram sete estrangeiros.

Tudo o que sabemos sobre:
Afeganistão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.