Em campanha, Evo promete converter Bolívia no 'centro energético' da região

A campanha para as eleições presidenciais bolivianas, que ocorrem domingo, entra nesta semana na reta final com o presidente Evo Morales - que busca a reeleição para o terceiro mandato - como o candidato favorito, segundo as mais recentes pesquisas de opinião (mais informações nesta página). Ontem, Evo prometeu, durante um ato político em Cochabamba, que a Bolívia "será o centro energético da América do Sul".

LA PAZ, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2014 | 02h05

"Não exportaremos somente gás aos países vizinhos, mas energia", declarou o ex-líder cocaleiro durante o encerramento da campanha de seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS), prometendo que a região de Cochabamba "continuará sendo a capital das usinas hidroelétricas" de seu país.

No domingo, Evo afirmou aos meios de comunicação oficiais da Bolívia que "o MAS outra vez vai obter dois terços" dos assentos do Parlamento bicameral do país, o que é essencial para realizar as pretendidas reformas na Constituição boliviana. Nas próximas eleições, além de eleger presidente e vice-presidente, os eleitores bolivianos renovarão todos os parlamentares para o período de 2015 a 2020.

Quando ascendeu à presidência em janeiro de 2006, com 54% dos votos, Evo conseguiu controle sobre a Câmara dos Deputados, mas não sobre o Senado, onde a oposição conseguiu combater duramente suas políticas. No mandato seguinte, porém, a partir de 2010, o presidente obteve maioria qualificada nas duas Casas, podendo aplicar suas medidas livremente.

"Ganhar eleições é muito simples", afirmou Evo ao jornal espanhol El País, em entrevista publicada no sábado. "Ganhamos seis, entre referendos, departamentais (estaduais), presidenciais..."

Em seguida, o presidente evitou responder se o próximo mandato será seu último. "Sempre vamos respeitar a Constituição", disse.

Aprovada em janeiro de 2009 por um referendo popular, a Carta boliviana determina que somente uma reeleição consecutiva é legal no país. No fim de abril de 2013, porém, a Justiça constitucional da Bolívia entendeu que Evo poderia ser reeleito uma segunda vez consecutivamente, pois, quando foi eleito pela primeira vez, vigorava a antiga Constituição - e sua primeira reeleição, em 2010, não valeu como reeleição, mas como primeira eleição sob nova Carta. "Demonstramos que nós, sindicalistas, sabemos governar. A direita diz que a gestão desgasta. Talvez quando as autoridades estão mais centradas em fazer negócios e em obter benefícios para as cúpulas. Nossa experiência é que a política não é benefício - nem negócio - para pessoas, mas sacrifício para o povo", disse Evo, ao responder por que até mesmo no Departamento de Santa Cruz, tradicional reduto opositor ao presidente, as pesquisas de opinião indicam sua vitória.

Evo afirmou que, desde que chegou ao poder, reduziu "a pobreza de 38% a 18%". "O desemprego estava entre 8% e 9% - hoje é de 3%. Agora, pela Constituição, temos uma economia plural. Respeita-se a propriedade privada, a comunal, a estatal, as coletivas..."

O presidente disse que acha estar "fazendo algo mal" quando recebe elogios do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre sua gestão da economia boliviana. "Mas também (considero) que estão aprendendo como fazer política econômica. As apreciações que esses organismos fazem me causam desconfiança. Os países onde o FMI decide políticas econômicas estão mal."

Sobre sua recusa em participar de debates com a oposição, Evo afirmou que nunca gostou de debater com candidatos, mas sim de dialogar com o povo. "Eu debato com o povo. (...) Não tenho por que debater com os neoliberais. Eles estão debatendo para ver quem é o segundo", disse.

Evo disse que não vê os EUA como potência e afirmou estar decepcionado com o presidente Barack Obama. O boliviano declarou que a luta contra o narcotráfico é uma desculpa, como já foi o comunismo, para ingerência americana em outros países, ressaltando que os cultivos de coca se reduziram a 23 mil hectares na Bolívia. Evo disse ainda que o ex-presidente cubano Fidel Castro continua sendo sua principal referência. / EFE

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