Uriel Sinai/The New York Times
Uriel Sinai/The New York Times

Primeiro-ministro de Israel promete anexar 'partes da Cisjordânia' se for reeleito

Em campanha eleitoral, Binyamin Netanyahu acena a ultraconservadores ao afirmar que dará 'próximo passo' caso continue no cargo

Cristiano Dias, ENVIADO ESPECIAL AO GOLAN, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2019 | 17h07
Atualizado 06 de abril de 2019 | 19h47

GOLAN - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse neste sábado, 6, em entrevista ao Canal 12, que anexará partes da Cisjordânia, caso seja reeleito na terça-feira. O premiê enfrenta uma das campanhas eleitorais mais acirradas de sua carreira, contra o partido Azul e Branco, do general Benny Gantz, ex-chefe das Forças Armadas.

Na entrevista, ele foi questionado pela jornalista Rina Matzliah sobre por que não estender a soberania israelense sobre os maiores assentamentos israelenses na Cisjordânia,  assim como foi feito em Jerusalém Oriental e nas Colinas do Golan, territórios também ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967. 

“Você está me perguntando se passaremos para a próxima fase? A resposta é sim. Passaremos para a próxima fase. Eu vou estender a soberania israelense. E eu não faço distinção entre grandes assentamentos e aqueles mais isolados”, disse.

Cerca de 2,6 milhões de palestinos vivem na Cisjordânia. Eles lutam pela criação de um Estado próprio, com capital em Jerusalém Oriental, que inclua a Faixa de Gaza. No entanto, Israel mantém 500 mil colonos dentro do território e muitos negociadores temem que a expansão dos assentamentos israelenses tenha embaralhado tanto o mapa da região que uma Palestina independente tenha se tornado inviável.

A política de expansão dos assentamentos na Cisjordânia foi resumida em 2010 pelo historiador israelense Avi Shlaim, professor de relações internacionais da Universidade de Oxford. “Netanyahu parece aquele sujeito que, enquanto negocia como a pizza será divida, continua a comê-la.”

Na entrevista de sábado, 6, o premiê também voltou a prometer destruir Khan al-Ahmar, um vilarejo de 200 beduínos localizado entre dois assentamentos judeus em Jerusalém Oriental. “Vai acontecer. Eu prometo. E vai acontecer na primeira oportunidade.”

Em outubro, Netanyahu suspendeu a demolição do vilarejo após críticas de oito países da Europa e de organizações de defesa dos direitos humanos. Na ocasião, Fatou Bensouda, procuradora do Tribunal Penal Internacional (TPI), alertou que “uma retirada à força” dos beduínos poderia ser considerado um “crime de guerra”.

As declarações foram calculadas. Se quiser se manter no cargo na eleição de terça-feira, Netanyahu precisa do apoio dos eleitores ultraconservadores e religiosos. Muitos partidos de extrema direita em Israel defendem a anexação de partes da Cisjordânia e o premiê disputa esses votos, principalmente dos colonos judeus que vivem nos territórios ocupados. 

O futuro político de Netanyahu depende de uma aliança com cerca de sete pequenos partidos conservadores para formar uma coalizão no Parlamento. No entanto, todos oscilam no limite da cláusula de barreira de 3,25% – quem obtiver votação abaixo desta marca é cortado do Legislativo. 

Na sexta-feira, em Jerusalém, em discurso para membros de seu partido, o Likud, Netanyahu adotou um tom catastrófico. “Se as coisas não mudarem, Gantz (seu rival) destruirá o bloco de direita e formará um governo esquerdista. Isto não é imaginação”, disse. “A única maneira de evitar um governo de esquerda é votar no Likud.”

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