Em campanha, Obama visita quatro Estados

Após tom eleitoral em discurso no Congresso, presidente viajará a locais cruciais para sua reeleição em novembro

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2012 | 03h07

Depois de concluir seu discurso sobre o Estado da União no plenário do Congresso, na noite de terça-feira, o presidente Barack Obama embarcou para uma jornada por quatro Estados. Acusado pelos republicanos de "fomentar a luta de classes e ser desconectado da realidade", o presidente americano pretende reforçar a mensagem que norteará sua campanha para a reeleição.

No Congresso, Obama já estava empenhado em angariar simpatia a seu segundo mandato em Estados onde o eleitorado muda de casaca a cada eleição. "Eu estou aqui para dizer que eles (os republicanos) estão errados", afirmou Obama em uma fábrica em Cedar Rapids, Iowa. "Não vamos voltar para uma economia enfraquecida pela terceirização e pela dívida impagável. Não foi assim que a América foi construída", completou, ao repetir um dos trechos de seu discurso no Congresso.

A reação de líderes e de pré-candidatos republicanos, ontem, ao Estado da União de 2012 indica que Obama conseguiu provocar a oposição. O texto concentrado especialmente na retomada de princípios da agenda econômica democrata e projetos da Casa Branca já descartados pelo Congresso, dominado pelos republicanos. Com isso, marcou uma divisão entre as ideias do governo de Obama para reconstruir a economia americana e a de seus possíveis rivais na eleição de novembro.

Obama defendeu uma maior regulação sobre o setor financeiro e um pacote de medidas fiscais de estímulo aos setores industrial e de energia limpa. Mas o tópico de seu discurso de maior confronto com a oposição foi sua proposta de aumento da tributação dos americanos com renda superior a US$ 250 mil ao ano. Desde dezembro de 2010, ele recuou três vezes nessa ideia, para evitar a paralisia de seu governo, por força da pressão republicana no Congresso. Agora, deixou claro que vai comprar uma disputa séria por esse e outros tópicos que, para ele, dividirão melhor as "responsabilidades" e os ganhos entre ricos e pobres nos EUA.

"Vocês podem chamar isso de luta de classes, se quiserem. Mas pedir a um bilionário para pagar mais imposto que sua secretária? Muitos americanos chamariam isso de bom senso", afirmara no discurso.

"Nenhuma característica da presidência de Obama foi mais triste do que seu constante esforço para nos dividir, para bajular alguns americanos castigando outros", reagiu o governador de Indiana, Mitch Daniels, responsável por dar a resposta oficial dos republicanos.

O discurso e as reações confirmam a avaliação de analistas de que o ponto-chave para a reeleição de Obama ou para a retomada da Casa Branca pelos republicanos estará na condição econômica dos EUA em novembro.

Tendência. Desde o final de 2011, o ambiente econômico tem melhorado, com recuo na taxa de desemprego e aumento na produção. Com otimismo, Obama avaliou em seu discurso que a situação da economia do país "está se tornando mais forte". Ele, entretanto, omitiu os riscos da crise europeia. A declaração ampliou seu flanco para os ataques.

"O descolamento entre a realidade e o que ele diz é extraordinário", declarou um dos potenciais rivais de Obama em novembro, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, durante comício em Orlando, Flórida.

As reações de Daniels e dos pré-candidatos à Casa Branca não atingiram a agenda externa de Obama para esse ano eleitoral. No discurso sobre o Estado da União, o presidente havia estampado a ameaça de uso da força militar para impedir que o Irã desenvolva arma nuclear, indicado sua crença na queda em breve do líder sírio, Bashar Assad, e se esquivado de confirmar a retirada total das tropas americanas do Afeganistão até o final de 2014. Em princípio, essa agenda coincide com a da oposição.

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