Sebastian Castaneda/REUTERS
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Em campanha pró-Fujimori, seleção peruana pede que país 'vista a camisa'

Mensagens veiculadas em redes sociais surpreenderam torcedores, já que jogadores não costumam manifestar posições políticas; candidata disputa presidência com o esquerdista Pedro Castillo

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2021 | 15h00

LIMA - Várias figuras da seleção peruana de futebol foram às redes sociais pedir ao país que "vista a camisa" e apoie "liberdade e democracia" nas eleições presidenciais de 6 de junho, uma clara mensagem de apoio à candidata direitista Keiko Fujimori, desencadeando uma grande polêmica no país. 

Os jogadores não expressaram apoio explícito à Fujimori, mas usaram termos e discursos que convergem com a agenda política da candidata. "Não sou comunista, voto pela democracia", afirmou o meia do DC United Edison Flores, afirmando ter decidido votar "pela liberdade". "Amo minha pátria", disse o lateral-direito do Rayo Vallecano, Luis Advíncula. "Agora há um discurso que quer nos dividir", disse o goleiro do Orlando City Pedro Gallese. "Neste 6 de junho votarei por um país livre e um país pacífico, não pelo comunismo”, disse Paolo Hurtado.

Fujimori disputa a presidência com o esquerdista Pedro Castillo, sindicalista de 51 anos que se tornou conhecido após liderar milhares de colegas em uma greve. Ela afirma que Castillo levaria o país à deriva comunista e socialista devido a seus supostos vínculos com o regime bolivariano da Venezuela.

Os 12 jogadores que participaram da campanha fizeram parte da seleção peruana na Copa do Mundo de 2018, disputada na Rússia. As mensagens viralizaram e imediatamente geraram uma avalanche de comentários a favor e contra os atletas. Alguns questionaram porque eles não se pronunciaram em peso sobre outras questões importantes, como quando dois jovens estudantes morreram em novembro do ano passado durante as mobilizações sociais contra o breve governo de Manuel Merino.

No caso específico de Advíncula, ele também foi criticado nas redes sociais por não saber que Rayo Vallecano vem de Vallecas, bairro operário de Madrid. O jornal El Comercio informou que fontes da Federação Peruana de Futebol (FPF) indicaram que essas mensagens foram "uma decisão cuidadosa e pessoal "e que os jogadores "são livres" para expressar suas posições./EFE

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