REUTERS/Henry Romero
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Em Caracas, manifestantes voltam às ruas e fazem panelaço contra Maduro

Oposição exige pressa na convocação de um referendo revogatório do mandato do presidente chavista, enquanto Conselho Nacional Eleitoral adia anúncios sobre o tema alegando ter sofrido ‘ameaças’; governo tenta bloquear acesso aos protestos

O Estado de S. Paulo

16 de setembro de 2016 | 20h22

CARACAS - A coalizão opositora venezuelana Mesa da Unidade Democrática (MUD) saiu pela terceira vez em três semanas para protestar por rapidez na convocação de um referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro, após o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) não divulgar, conforme havia previsto, o cronograma da segunda fase do processo, cuja data limite terminou nesta sexta-feira, 16. 

Milhares de pessoas protestaram nas ruas de Caracas, um número sensivelmente menor que o do dia 7, no qual a MUD diz ter reunido 1,5 milhão de venezuelanos. Os manifestantes fizeram um “panelaço” nas ruas da capital. 

O presidente da Assembleia Nacional, de maioria opositora, Henry Ramos Allup, afirmou que o objetivo da mobilização era exigir que o CNE não continue “sabotando a realização do revogatório neste ano”. Ramos Allup denunciou que o governo ordenou bloquear os acessos a Caracas para impedir a entrada de manifestantes.

Na véspera do protesto, o CNE adiou por “ameaças” o anúncio que deveria realizar nesta sexta-feira sobre a data e as condições para a coleta das quatro milhões de assinaturas (20% do total de eleitores) a favor do revogatório. O único cenário previsto pela Constituição venezuelana que implicaria na antecipação das eleições presidenciais seria a realização do referendo ainda este ano, em caso de derrota do chavismo.

O CNE - acusado pela oposição de estar sob o controle do Executivo - alegou que os protestos colocam em risco seus funcionários e disse que retomará a análise deste tema na próxima segunda-feira, embora não tenha especificado se neste dia fará um pronunciamento definitivo.

A mobilização foi batizada de “Cúpula do povo contra a fome e pelo revogatório”, em alusão à Cúpula de Países Não-Alinhados (NOAL), que está sendo realizada na ilha venezuelana de Margarita.

“É a anticúpula, a cúpula do povo em resposta a este esbanjamento (da NOAL) e exigindo o estabelecimento com clareza das condições” para a coleta de assinaturas, disse na quinta-feira Jesús Torrealba, secretário executivo da coalizão.

Pressão. Torrrealba havia antecipado que a falta de definições a respeito da ativação do processo de referendo motivaria ainda mais os protestos. “O silêncio é um desrespeito com o direito do povo venezuelano de construir uma solução pacífica, eleitoral, constitucional e democrática para esse drama”, acrescentou Torrealba em uma coletiva de imprensa.

Afetada pela queda das receitas do petróleo, a Venezuela sofre uma crise econômica refletida em uma escassez de 80% dos alimentos e remédios, segundo estudos privados, e a inflação mais alta do mundo, que o FMI projeta em 720% para 2016.

As mobilizações ocorrem após dois dias de protesto, em 1 e 7 de setembro, para exigir o revogatório. O governo minimizou os protestos, questionando os números de participantes proclamados pela MUD. Na manifestação que os opositores afirmaram ter reunido mais de um milhão, por exemplo, o chavismo afirmou ter visto apenas “alguns milhares”. 

Apesar das declarações de Maduro, os protestos são os maiores contra seu governo desde 2014, quando uma onda de violência durante as manifestações do movimento La Salida deixou saldo de 43 mortos em todo o país. / AFP

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