EFE/Cristian Hernández
EFE/Cristian Hernández

Em Caracas, marcha de mulheres exige referendo contra Maduro

Ato convocado por líderes da oposição incluindo Lilian Tintori, mulher do político preso Leopoldo López, marchou de quatro pontos de Caracas para chegar à autoestrada Francisco Fajardo, principal artéria da cidade

O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2016 | 20h06

CARACAS - "Venezuela, resteada' (corajosa), será libertada!", gritavam milhares de mulheres que marcham neste sábado, 22, em Caracas, em protesto após a suspensão do processo de referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro. "Vamos dar a cara nas ruas e vamos lutar pelo revogatório", disse à imprensa Lilian Tintori, mulher do opositor preso Leopoldo López, uma das principais promotoras da mobilização.

"Faremos a grande tomada da Venezuela, com determinação, coragem e em paz", acrescentou Lilian, referindo-se à convocação da coalizão, cercada de correligionárias vestidas de branco levando bandeiras venezuelanas e cartazes.  "Você pode ficar todo dia na fila para comprar comida e, ainda assim, não conseguir o que precisa (...), e o governo bloqueia as soluções para a crise", reclamou Nayiber Bracho, de 30 anos, uma das manifestantes.

Convocada por Tintori e por outras lideranças da oposição, como a ex-deputada María Corina Machado, a marcha das "resteadas" (corajosas) saiu de quatro pontos diferentes de Caracas para chegar à autoestrada Francisco Fajardo, principal artéria da cidade. "Hoje começa uma nova etapa de luta contra a ditadura, a etapa definitiva", tuitou María Corina. 

Vamos fazer valer a maioria que o povo que nos elegeu nos deu", afirmou a deputada Gabriela Arellano, em discurso em um dos pontos de concentração para a manifestação deste sábado.

Na sexta-feira, a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) advertiu que "chegou a hora" de definições no país, depois que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) voltou a adiar a coleta de quatro milhões de assinaturas necessárias para convocar a consulta contra Maduro.

Em nome da MUD, o ex-candidato presidencial Henrique Capriles anunciou também na sexta uma grande mobilização nacional para a próxima quarta-feira: "vamos tomar Venezuela de ponta a ponta".

Diálogo. Ao suspender o processo para a realização do referendo, o CNE disse "acatar" sentenças judiciais de tribunais regionais que anularam a coleta anterior de assinaturas sob alegação de fraude, após milhares de recursos legais apresentados por dirigentes do chavismo.

Nesse clima, a Assembleia Nacional, de maioria opositora, prepara uma sessão especial para este domingo, 23, durante a qual prometem anunciar medidas concretas contra a paralisação do processo.

Em meio a essa nova escalada, o vice-presidente Aristóbulo Istúriz informou que delegados do oficialismo e da oposição vão-se reunir em separado, neste fim de semana, com uma missão internacional liderada pelo ex-chefe de Governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. O objetivo é conseguir estabelecer um diálogo.

Em nota divulgada neste sábado pelo Ministério argentino das Relações Exteriores, 12 países da Organização dos Estados Americanos (OEA) mostraram sua preocupação com a suspensão do referendo na Venezuela e pediram ao governo Maduro que encontre caminhos para dialogar.

"Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos de América, Honduras, Guatemala, México, Peru e Uruguai (...) expressam sua profunda preocupação com a decisão adotada pelo Conselho Nacional Eleitoral da República Bolivariana da Venezuela de adiar o processo de coleta de 20% do padrão eleitoral", denunciou o texto. / AFP

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