Em carta, Assad pede ajuda a Brics, que evitam atribuir a ele culpa por crise

Após receber uma carta de Bashar Assad, os Brics reunidos ontem pelo último dia em Durban pouparam o regime sírio de críticas mais duras e evitaram atribuir a Damasco a responsabilidade principal pela violência - que já dura dois anos e consumiu 70 mil vidas, segundo a ONU, citando cifras da oposição. Na mensagem aos cinco emergentes, Assad pediu apoio em sua luta contra "terroristas" e a ingerência de países árabes e dos EUA.

IURI DANTAS, FERNANDO TRAVAGLINI, ENVIADOS ESPECIAIS , DURBAN, ÁFRICA DO SUL, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2013 | 02h06

Anunciada horas depois, a declaração final da cúpula de Durban não diferencia o regime Assad dos grupos insurgentes e condena, de modo genérico, a "crescente violação dos direitos humanos". O texto ainda exige respeito à "independência da Síria" - recado aos países que apoiam, com armas e dinheiro, os rebeldes em luta contra a ditadura síria. Na terça-feira, a Liga Árabe deu carta-branca a seus integrantes, que querem ampliar o envio de armas aos insurgentes.

Os Brics pedem ainda que "todas as partes" envolvidas na guerra civil permitam que agentes humanitários tenham acesso de modo "imediato, seguro e completo" às zonas atingidas pela violência.

A inclusão desse trecho pode ser vista como uma vitória parcial do governo brasileiro, que vinha defendendo nos bastidores uma linguagem mais firme. Nas declarações sobre a crise síria, o Itamaraty vem atribuindo explicitamente a responsabilidade principal pela tragédia ao regime Assad. A mesma posição consta do último relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a Síria, organizado pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro.

Após um encontro bilateral, os presidentes sul-africano, Jacob Zuma, e russo, Vladimir Putin, foram questionados se pressionariam o regime de Damasco a permitir o acesso da ONU a zonas de conflito. Zuma silenciou, enquanto o líder de Moscou - principal aliado de Damasco entre as grandes potências - disse: "Pensaremos sobre isso". Os Brics são formados por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Sinal de Damasco. A carta de Assad pedindo apoio dos Brics foi enviada ao governo sul-africano, na presidência rotativa do bloco emergente. O comunicado, segundo fontes diplomáticas, não foi lido nem debatido formalmente pelos chefes de Estado.

"(O fim da violência) exige uma clara determinação internacional para secar as fontes do terrorismo e parar seu financiamento e armamento", afirmou o presidente na carta, lida pela TV estatal síria. Segundo Assad, a Síria é alvo de "atos de terrorismo patrocinados por países árabes, ocidentais e da região". O ditador sírio pediu aos líderes dos Brics que trabalhem "para o fim imediato da violência de modo a garantir o sucesso de uma solução política".

Reunida em Doha, a Liga Árabe determinou ontem que "é direito de todo Estado-membro" do bloco dar apoio aos rebeldes sírios "com todos os meios necessários para que eles possam se defender, incluindo meios militares". A cadeira da Síria na reunião está sendo ocupada pelos rebeldes, e não pelo governo Assad.

Ontem, a Coalizão Nacional Síria, que reúne a oposição a Damasco, conseguiu mais uma vitória, ao abrir sua primeira "embaixada" no exterior, no Catar. / COM AP

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