Em carta, britânica presa no Irã se diz ´sacrificada´pela guerra

A embaixada iraniana divulgou nesta sexta-feira, 30, uma terceira carta, supostamente escrita pela soldado Faye Turney - única mulher entre os marinheiros britânicos capturados -, em que a militar teria escrito que foi "sacrificada" pelas políticas militares dos governos do Reino Unido e dos Estados Unidos.Na carta, que é endereçada ao povo britânico, a soldado teria dito que diferentemente do que acontece com os presos nativos, ela tem sido bem tratada. "Estou escrevendo para a população na condição de funcionária do governo que foi enviada para o Iraque e sacrificada por políticas intervencionistas dos governos de Blair e Bush", diz a carta.Em outro trecho, a soldado teria dito que é importante pedir desculpas para as populações oprimidas pela estratégia intervencionista dos governantes. "À medida em que a nós vemos e ouvimos as notícias de que prisioneiros são mal-tratados em Abu Ghraib e em outras prisões iraquianas, por soldados britânicos e americanos, eu encontrei total respeito", diz a carta, que emenda um pedido para que o "governo faça mudanças em seu comportamento opressivo".Irã não quer envolvimento do CSA embaixada iraniana em Londres criticou a atuação do Conselho de Segurança da ONU pelo envolvimento nas negociações. Fazendo coro às críticas, o clérigo Ahmad Khatami, membro do Conselho de Especialistas do Irã, criticou a interferência de terceiros como a ONU e a União Européia (UE) na crise dos militares britânicos detidos e disse que a intromissão em um assunto bilateral "complica" sua resolução.No sermão oficial das sextas-feiras em Teerã - em quehabitualmente expressa a posição do regime e que contou com a presença do presidente Mahmoud Ahmadinejad -, Khatami afirmou que se trata de uma questão que "deve ser resolvida entre o Irã e o Reino Unido", segundo a agência semi-oficial Mehr."O caso deve ser tratado entre o Irã e o Reino Unido, já que seus marinheiros entraram em nossas águas e foram detidos por nossos guardas", disse. "Terceiros como o Conselho de Segurança das Nações Unidas e a União Européia não têm o direito de intervir no assunto", afirmou Khatami, que disse que a intromissão destes grupos "complica as coisas".Durante o discurso do sermão, pronunciado como de hábito na Universidade de Teerã, no oeste da capital, o clérigo advertiu que, "se a Inglaterra continuar com suas maldições contra a República Islâmica do Irã, pagará muito caro"."A Inglaterra é uma potência derrotada, isolada, um intermediário da política americana que perdeu seu império do século XIX. O tempo do império britânico já acabou", disse Khatami. Segundo ele, as tropas do Reino Unido invadiram por várias vezes o território marítimo iraniano e "existem provas disso"."A Inglaterra pediu desculpas (em ocasiões anteriores) e prometeu não repetir esta maldade, no entanto agora fala rispidamente, apesar de os marinheiros terem confessado que invadiram as águas territoriais do Irã", prosseguiu."Já não estamos no tempo dos Qadjars (dinastia que governou o Irã entre os séculos XVIII e XIX), cujo governo temia os navios ingleses equipados com canhões", disse o clérigo, destacando que o país "enfrenta hoje com autoridade" os Estados Unidos e o Reino Unido. Khatami disse que a libertação da militar britânica Faye Turney estava prevista, mas as "declarações ameaçadoras e a maldade dos britânicos em Basra adiaram a medida", referindo-se aos disparos feitos na quinta-feira por tropas do Reino Unido - segundo Teerã - contra o consulado do Irã na cidade iraquiana. Os britânicos negam a autoria dos disparos.

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