Em carta, deputada iraniana critica Dilma

Chefe da comissão de direitos humanos do Parlamento repudia declarações da presidente sobre a questão

Efe,

16 de janeiro de 2011 | 19h16

A presidente da comissão de direitos humanos do Parlamento iraniano, Zohre Elahian, repudiou as declarações críticas da presidente Dilma Rousseff sobre a postura no Irã nesta questão. Segundo a agência estatal de notícias iraniana Irna, Elahian enviou neste domingo uma carta a Dilma dizendo que aqueles que Dilma defende são na realidade pessoas acusadas de crimes contra a segurança do Estado.

"Os que Dilma Rousseff classifica de prisioneiros políticos e de consciência são aqueles que têm registrado em seus antecedentes crimes de segurança contra o povo iraniano", afirma a deputada.

A parlamentar ainda ressalta que os prisioneiros defendidos por Dilma tiveram a intenção de acabar com o regime iraniano durante os grandes protestos de junho de 2009 realizados contra a polêmica reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

 

No começo do mês, a diplomacia iraniana protestou junto à embaixada brasileira em Teerã contra últimas referências à situação dos direitos humanos no Irã, feitas por autoridades brasileiras.  Antes de assumir o cargo, Dilma concedeu uma entrevista ao jornal americano Washington Post na qual criticou o comportamento do Brasil na ONU, ao abster-se de votar uma condenação às violações de direitos humanos no Irã.

"Não concordo com o modo como o Brasil votou. Não é a minha posição", afirmou Dilma, mencionando "práticas medievais aplicadas quando se trata de mulheres". "Ficaria desconfortável, como uma mulher eleita presidente, em não me manifestar contra o apedrejamento", disse ela, referindo-se à condenação da iraniana Sakineh Ashtiani à morte por apedrejamento.

Em entrevista à revista Veja, o chanceler Antonio Patriota também criticou o caso Sakineh." A questão da ameaça de apedrejamento da iraniana obviamente vai contra tudo o que nós representamos", disse Patriota. "Acho que vai haver uma reflexão interna sobre essa questão dos direitos humanos."

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