Em carta, Kadafi pede a Obama fim dos ataques à Líbia

Ditador chamou incursão internacional de 'guerra injusta contra um país em desenvolvimento'

Agência Estado

06 Abril 2011 | 15h13

WASHINGTON - O ditador líbio Muamar Kadafi pediu ao presidente dos EUA, Barack Obama, que encerre as operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia para proteger os oponentes de seu regime.

 

Veja também:

especialLinha do Tempo: 40 anos da ditadura na Líbia

blog Arquivo: Kadafi nas páginas do Estado

especialInfográfico: A revolta que abalou o Oriente Médio

especialEspecial: Os quatro atos da crise na Líbia

especialCharge: O pensamento vivo de Kadafi

 

 

Em carta enviada por Kadafi a Obama, obtida pela Associated Press, o líder líbio implora ao presidente americano que encerre o que chamou de "uma guerra injusta contra o pequeno povo de um país em desenvolvimento". Um funcionário do governo confirmou que os EUA acreditam que a desconexa carta de três páginas é autêntica.

 

 

Na carta, enviada que chegou ao governo americano nesta quarta-feira, 5, Kadafi diz que seu país tem sido atingido mais moralmente do que fisicamente pela campanha da Otan e que uma sociedade democrática não deveria ser construída por meio de mísseis e aeronaves. Ele também repetiu suas afirmações de que o inimigo são membros da Al-Qaeda. Na carta, Kadafi se dirigiu a Obama como "nosso irmão" e disse que espera que ele seja reeleito em 2012.

 

A rebelião contra Kadafi teve início há mais de um mês. Os opositores ganharam terreno e encurralaram o ditador em Trípoli, mas as tropas do governo, mais bem treinadas e equipadas, conseguiram reverter a ofensiva. A ONU, então, aprovou a intervenção para "proteger os civis". Os EUA participam da incursão, que também conta com Reino Unido, França e países árabes.

 

A revolta na líbia é inspirada nos levantes da Tunísia e do Egito, onde a pressão popular derrubou governos que já duravam décadas. Kadafi, que está há 41 anos no poder, se recusa a deixar o poder, mesmo sob pressão de governos vizinhos e do Ocidente. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.