Em carta, Obama teria incentivado acordo com Irã

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reconheceu a seu colega Luiz Inácio Lula da Silva que um acordo do Brasil e da Turquia com o Irã sobre a troca de urânio por combustível nuclear "geraria confiança e diminuiria as tensões" no Oriente Médio. Essa ponderação estaria em um dos quatro trechos de uma carta confidencial enviada por Obama a Lula há cerca de 15 dias - pelo menos sete dias antes da celebração do acordo, em Teerã -, aos quais a agência Reuters teve acesso.

AE, Agência Estado

21 Maio 2010 | 20h17

Os trechos escolhidos para vir a público foram justamente os que confirmam a versão do governo brasileiro de que o acordo com o Irã atende todas as exigências de Washington. O vazamento dessas informações deu-se no momento em que o Itamaraty trabalha para evitar o recuo do Irã e para abortar a estratégia dos EUA de aprovar um novo pacote de sanções a Teerã no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A Presidência e o Itamaraty não confirmaram a veracidade dos quatro trechos da carta e resistiam em liberar o conteúdo integral da carta, sob o argumento de que se trata de uma comunicação entre chefes de Estado.

"Do nosso ponto de vista, uma decisão do Irã de enviar 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento para fora do país geraria confiança e diminuiria as tensões regionais por meio da redução do estoque iraniano", teria afirmado Obama, conforme reportagem da Reuters. Trata-se exatamente do principal tópico do acordo de Teerã, que prevê o depósito desse material na Turquia no prazo de um mês e a entrega de 120 quilos de combustível nuclear ao Irã em um ano.

Em relação ao esforço do presidente Lula em convencer o governo iraniano a acatar o acordo, segundo a Reuters, Obama reconheceu na carta que o Irã dera "sinais de flexibilidade" ao Brasil. Mas, também advertiu que o governo iraniano ainda mantinha posições inaceitáveis, rejeitava a proposta de Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e insistia em realizar simultaneamente a troca do urânio levemente enriquecido por combustível para o reator nuclear de Teerã.

Entre os trechos vazados, nenhum menciona claramente o objetivo dos Estados em obter o aval do Conselho de Segurança a novas sanções contra o Irã mesmo que o acordo fosse concluído. Em apenas um trecho, Obama ressalta que seu país continuaria a buscar essa retaliação enquanto o Irã não viesse a aceitar os compromissos de um acordo e cumpri-lo. "Para iniciar um processo diplomático construtivo, o Irã precisa transmitir à AIEA um compromisso construtivo de engajamento, através dos canais oficiais, algo que não foi feito até o momento. No meio tempo, insistiremos na aprovação das sanções."

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