Em casa, regime de Teerã amplia cerco a jornalistas

Cenário: Rick Gladstone e Artin Afkhami

SÃO REPÓRTERES DO NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2012 | 03h07

Autoridades do Irã prenderam pelo menos seis jornalistas e blogueiros nas últimas semanas, segundo sites da oposição e grupos de defesa dos direitos humanos. Ao que tudo indica, as medidas fazem parte de uma campanha de intimidação para desestimular os protestos antes das eleições parlamentares, marcadas para o início de março.

As prisões, particularmente as de duas mulheres cujas mensagens são seguidas em todo o Irã, não foram noticiadas pela imprensa oficial. Grupos de defesa dos direitos humanos e pessoas que conhecem os jornalistas detidos disseram que provavelmente o governo pretendia espalhar a notícia das prisões informalmente, para intensificar a atmosfera de medo e paranoia.

Não se sabe ao certo quais são as acusações, se é que elas existem, feitas contra os presos. Nenhum deles era militante ou tinha publicado material que pudesse ser considerado subversivo desde a última importante campanha de repressão do governo iraniano, em fevereiro. Naquela época, as autoridades prenderam um grande número de jornalistas, procurando - com sucesso - frustrar qualquer pretensão da oposição do Irã de comemorar as revoluções na Tunísia e Egito.

Amigos das duas mulheres presas, Parastou Dokouhaki e Marzieh Rasouli, criaram um site para divulgar a situação delas. Dokouhaki, militante dos direitos humanos cujo blog atraiu um grande número de seguidores, está na prisão de Evin, em Teerã, desde 15 de janeiro, quando a polícia invadiu sua casa e confiscou o seu laptop. A família de Dokouhaki foi informada pelos promotores de que ela se encontra "em prisão temporária", eufemismo que significa que ela permanecerá presa indefinidamente. O site disse ainda que Rasouli, jornalista que escreve sobre literatura e cultura, além de blogueira, foi presa no dia 17 de janeiro. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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