AFP PHOTO / ADALBERTO ROQUE
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Em cerimônia histórica, Colômbia e Farc põem fim hoje a 52 anos de guerra

Após quatro anos de negociação, presidente Santos e líderes da guerrilha assinam acordo de paz em Cartagena com o respaldo da comunidade internacional; o último conflito da América Latina deixou 220 mil mortos e 25 mil desaparecidos

Fernanda Simas, ENVIADA ESPECIAL / CARTAGENA, COLÔMBIA

25 de setembro de 2016 | 22h00

Após 52 anos de conflito e 4 anos de negociações, o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) assinam hoje em Cartagena um acordo histórico selando a paz. A cidade foi escolhida por ser o local que abriga grandes eventos no país e nas ruas há grande expectativa pelo evento.

O acordo será assinado pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e pelo líder das Farc, Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como Timochenko, na presença de 2,5 mil convidados do mundo todo, além de 120 representantes das Farc, que na semana passada ratificaram o acordo de paz em sua 10.ª Conferência Guerrilheira. 

A cidade turística colombiana de Cartagena ficou diferente para receber o evento histórico. No aeroporto, jornalistas do mundo todo desembarcavam e um balcão para credenciamento foi montado com o símbolo da pomba da paz. Nas ruas, o policiamento foi reforçado e qualquer taxista que fique por mais de cinco minutos parado em alguma rua do centro histórico da cidade é questionado.

O dia será de cerimônias pela cidade. Pela manhã, Santos tomará um café da manhã na companhia de integrantes das Forças Armadas colombianas para agradecer pelo trabalho feito durante os 52 anos de guerra. Mais tarde, uma missa será realizada pelo secretário do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, pedindo a reconciliação de todos os colombianos. 

Finalmente, no fim do dia, ocorrerá a assinatura do documento de 297 páginas que encerra o conflito que deixou 220 mil mortos, mais de 25 mil desaparecidos e mais de 5 milhões de deslocados. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e diversos líderes mundiais estarão presentes.

O presidente de Cuba, Raúl Castro, desembarcou ontem em Cartagena, saudou a imprensa no aeroporto local, mas não deu declarações. A presença de Raúl na cerimônia criava expectativa entre os colombianos já que o governo de Santos diversas vezes ressaltou a importância de Cuba no processo de negociação com as Farc. 

A ilha abrigou a mesa de conversações entre governo e guerrilha. Em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, Santos lembrou que Cuba, “o país anfitrião dos diálogos”, foi, ao lado da Noruega, o mediador das negociações, enquanto Chile e Venezuela acompanharam todo o processo. 

Visitas. Ainda ontem chegariam os presidentes do México, Enrique Peña Nieto, o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, e o secretário americano de Estado, John Kerry. Representando o Brasil, o ministro de Relações Exteriores, José Serra, deve desembarcar hoje em Cartagena.

A aposta do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, de dar um caráter internacional para uma negociação interna, com forte apoio regional, foi uma maneira de garantir que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), sob nenhuma circunstância, deixariam a mesa de diálogo em Havana pelo impacto negativo que uma decisão desse tipo teria diante dos olhos do mundo. 

Com a assinatura do acordo, a Colômbia pretende melhorar seus indicadores econômicos e atrair mais turistas e investimentos, além de reconstruir ou desenvolver as regiões afetadas pelo confronto, o que deve se apresentar como uma tarefa complexa. 

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