Em clima tenso, Putin inicia visita informal a Bush

Recepção foi calorosa, mas disputas entre Rússia e EUA dificilmente serão resolvidas

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 09h54

Há tempos as relações entre os Estados Unidos e a Rússia não ficavam tão tensas como nos últimos meses, depois que Washington anunciou planos para instalar um escudo antimíssil no leste europeu. Nem por isso, o encontro entre George W. Bush e Vladimir Putin na residência da família Bush na noite deste domingo, 1º, deixou de ser caloroso: eles trocaram apertos de mão, desfrutaram de um saboroso jantar de lagostas e andaram de lancha pelas águas do Atlântico. O presidente americano sabe o que quer do encontro: convencer Putin de que o sistema de defesa antimísseis americano não é uma ameaça à Rússia, conseguir o apoio do Kremlin ao endurecimento das sanções contra o programa nuclear iraniano e, principalmente, descongelar as relações entre os dois países. O que Putin busca da reunião, entretanto, não é tão claro. "Será que Putin planeja lançar algo para surpreender Bush?", questiona-se a cientista política especialista em Rússia Sarah Mendelson. O ex-presidente George H. W. Bush, pai do atual líder americano, recebeu Putin no aeroporto neste domingo, acompanhando-o de helicóptero e depois de limusine até a residência da família. Ao sair do carro, Putin sorriu ao atual presidente e entregou flores à primeira-dama, Laura Bush. Antes do jantar, Bush e Putin andaram em uma veloz lancha pela costa. Os dois países insistem que não há agenda para o encontro, que tem sido descrito como "informal". Para a pesquisadora Sarah Mendelson, este é o "encontro do não-encontro". Relação Antes de deixar Moscou, Putin disse que sua relação "muito boa, eu diria de amizade" com Bush criaria uma atmosfera positiva. "Se não fosse assim, eu não iria e não teria sido convidado." Relações pessoais à parte, a verdade é que as ligações políticas entre os Estados Unidos e a Rússia não se deterioravam tanto desde a Guerra Fria. Desde os ataques terroristas de 11 de Setembro, não foram poucos os assuntos em que os dois países discordaram. Questões como a guerra do Iraque, o programa antimíssil americano, a democracia na Rússia, a expansão da Otan e a ingerência russa nas antigas nações soviéticas são apenas alguns exemplos das disputadas que marcaram a relação entre as nações ex-rivais nos últimos anos. Ainda assim, houve cooperação no tocante aos planos nucleares iranianos e para a não-proliferação armamentista. Questões controversas Mas apelando para os sentimentos nacionalistas russos e ansioso para restabelecer o poderio da sua nação rica em petróleo, Putin não hesita em adotar um tom cada vez mais assertivo. As coisas pioraram depois que os Estados Unidos anunciaram em janeiro seus planos para construir um sistema de defesa antimíssil na República Checa e Polônia, ex-repúblicas soviéticas que agora são parte da Otan. Moscou não foi convencido pelo argumento de que o sistema visa conter uma futura ameaça nuclear iraniana. Como resposta, o Kremlin ameaçou apontar seus mísseis para a Europa, acusando os EUA de exercer uma interferência irresponsável no equilíbrio de forças na região. Outra questão delicada na relação entre os dois países nos últimos meses foi a disputa acerca do status final da província sérvia de Kosovo. Os EUA apóiam a independência do território, maioria albanesa. A Rússia, por sua vez, é contrária à separação, pois teme que a mudança poderia dar respaldo para movimentos separatistas em seu território.

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