Em comissão, europeus e mexicanos criticam ´muro da vergonha´

Parlamentares europeus e mexicanos visitaram na sexta-feira as cidades de Nuevo Laredo (México) e Laredo (Texas, EUA), onde reiteraram sua preocupação em relação à possível construção de um muro com 1.100 quilômetros de extensão para frear o fluxo migratório clandestino em direção aos Estados Unidos.A delegação legislativa participou da II Reunião da Comissão Parlamentar Mista União Européia-México, encerrada na quinta-feira, após quatro dias de deliberações.A deputada socialista alemã Erika Mann, presidente da comissão parlamentar mista, disse aos jornalistas que a eventual construção de muros do lado americano da fronteira para impedir a entrada de imigrantes ilegais não facilitaria as relações humanas e econômicas entre México e EUA.Em 16 de dezembro, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei que propõe a construção de muros em vários pontos da fronteira com o México (além do já existente entre Tijuana e San Diego) e considera como crime a entrada ilegal no país. A iniciativa deverá ser avaliada agora pelo Senado.Mann recomendou a busca de outras soluções menos radicais, que não ameacem as relações bilaterais e que sejam consensuais. Da reunião fronteiriça participou Michael Yoder, cônsul americano na cidade de Nuevo Laredo, que é a passagem terrestre por onde o México exporta a maior parte de suas mercadorias aos Estados Unidos mas também uma área atingida pela violência do narcotráfico, que no ano passado causou cerca de 200 mortes.Por sua vez, Eva Lichtenberger, parlamentar austríaca pela Aliança Livre Européia (Grupo dos Verdes), disse que se sentiu "ofendida" pelo tratamento que recebeu ao entrar nos EUA vinda do México, já que, segundo afirmou, teve de registrar suas impressões digitais, uma das exigências que o governo americano faz a todas as pessoas que ingressam legalmente em seu território desde 2004.O parlamentar mexicano Carlos Jiménez, secretário da comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e vice-presidente da comissão interparlamentar, indicou que os legisladores europeus estavam interessados em conhecer a fronteira e os problemas nesta região e agradeceu a manifestação dos eurodeputados contra o que se chamou de "o muro da vergonha".A iniciativa legislativa americana, mesmo que não prospere no Senado, já provocou uma onda de indignação no México e foi alimentada nos últimos dias pela morte de um ilegal mexicano supostamente pelo disparo de um agente fronteiriço.

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