Nick Oxford/Reuters
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Em contexto imprevisível, membros da OPEP se reúnem por videoconferência na segunda-feira

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus parceiros do OPEP + vão decidir qual será o volume de petróleo que colocarão no mercado em fevereiro

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2021 | 04h11

LONDRES - Os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e seus parceiros do acordo OPEP + se reunirão por videoconferência na segunda-feira, 4, para decidir qual será o volume de petróleo que colocarão no mercado em fevereiro.

Esta reunião ministerial faz parte de uma política "atenta às condições de mercado" da aliança, apesar de a recuperação da procura de ouro negro em 2021 permanecer incerta.

Na última cúpula, realizada de 30 de novembro a 3 de dezembro, a OPEP + prometeu adicionar 500 mil barris por dia em janeiro, ao invés dos dois milhões inicialmente planejados.

Nessa reunião, os 13 integrantes do cartel, liderados pela Arábia Saudita, e seus dez aliados, liderados pela Rússia, concordaram em se reunir no início de cada mês para definir o volume de produção do mês seguinte.

Este acompanhamento ilustra a vontade do cartel de manter forte influência no mercado, mas também a gravidade da situação dos produtores de petróleo, para os quais, antes da crise sanitária, bastavam duas cúpulas anuais na sede da organização. em Viena, Áustria.

Para os analistas da JBC Energy, essa estratégia mostra "a capacidade da OPEP + em administrar o mercado, lançando as bases para a recuperação do Brent, apesar da incerteza que continua pesando sobre a demanda".

Os dois contratos de referência, o europeu Brent do Mar do Norte e o americano WTI, foram negociados a cerca de 50 dólares o barril no fim de semana, um nível inferior ao do início de 2020, mas muito superior aos mínimos alcançados em abril passado.

O desfecho das negociações dos vinte e três membros da OPEP + (dos quais três atualmente estão isentos de cotas) depende da boa vontade dos dois pesos-pesados ​​da aliança, Rússia e Arábia Saudita, respectivamente, segundo e terceiro produtor mundial atrás dos Estados Unidos.

Em março passado, o desacordo entre Riade e Moscou, que levou a uma curta mas intensa guerra de preços, despencou o preço do petróleo bruto, antes que a saturação da capacidade de armazenamento desse a gota d'água para terreno negativo da WTI.

A situação agora se acalmou e os ministros da Energia da Arábia Saudita e da Rússia expressaram sua unidade em uma reunião bilateral em dezembro.

“A carta de cooperação OPEP + nos uniu e trouxe bons resultados (...) É por isso que deve continuar", disse o ministro saudita da Energia, Abdelaziz ben Salmán, na época.

O seu homólogo russo Alexandre Novak, responsável pelo setor da energia, também insistiu na importância de "trabalharmos em conjunto para alcançar o equilíbrio da situação do mercado".

É difícil, entretanto, prever a evolução da demanda de petróleo, deprimida pela pandemia de covid-19.

Em seu último relatório mensal, o cartel prevê um aumento abaixo do esperado e alerta para "grandes incertezas, essencialmente em relação ao desenvolvimento da pandemia de covid-19 e ao uso de vacinas". Ele também questiona sobre "os efeitos estruturais da covid-19 sobre o comportamento do consumidor, particularmente no setor de transporte."

Outras vozes parecem mais otimistas. O analista do Price Futures Group, Phil Flynn, estima que a demanda vai melhorar antes da produção, especialmente nos Estados Unidos.

No entanto, a oferta proposta fora do âmbito do acordo OPEP + continua elevada: a dos Estados Unidos continua em 11 milhões de barris por dia, e a Líbia, membro do cartel mas isento de cotas, dobrou a produção em novembro após o cessar-fogo assinado no país, segundo o cartel./AFP

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