Em convenção, Obama tentará neutralizar más notícias

Encontro democrata terminará na véspera do anúncio de uma taxa de desemprego acima de 8% para o mês de agosto

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL , CHARLOTTE, EUA, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2012 | 03h06

Marcada para começar amanhã e terminar na quinta-feira, a convenção do Partido Democrata acabará um dia antes de os americanos serem informados sobre mais uma taxa de desemprego acima de 8%. O índice de agosto será divulgado na sexta-feira. A convenção democrata terá como ápice o lançamento oficial da candidatura à reeleição do presidente dos EUA, Barack Obama.

A recuperação fraca da economia e o desemprego elevado por longo período são ainda considerados obstáculos mais fortes para Obama continuar na Casa Branca até 2017. O último mês em que o desemprego ficou abaixo de 8% foi janeiro de 2009, quando o presidente tomou posse. Em julho, a taxa foi de 8,3%. Tanto democratas quanto republicanos usam o tema para tentar se beneficiar nas eleições de 6 de novembro.

Ontem, a artilharia republicana já estava a postos para espalhar ceticismo em torno da mensagem democrata em sua convenção. O assessor econômico de Mitt Romney, Eric Fehrnstrom, insistiu nas promessas de 2008 não cumpridas por Obama. "A economia não deu uma virada. Na verdade, acho que a grande notícia desta semana não virá dos três dias da convenção democrata, mas na sexta-feira, quando ouvirmos o resultado do desemprego em agosto", afirmou na emissora CNN.

Enquanto Obama fazia comícios na Pensilvânia, seus escudeiros tratavam de dissipar os ataques da oposição e preparar um cenário mais confortável para o discurso do presidente em Charlotte, na Carolina do Norte, onde o desemprego alcança 9,6% da população. "Vamos explicar para o povo americano e para a classe média do país como iremos além da recuperação da economia dessa recessão. Vamos reconstruir a economia", afirmou David Plouffe, conselheiro sênior de Obama, para quem o projeto econômico Romney não passa de "fantasia".

Na conservadora Fox News, o estrategista-chefe da campanha de Obama, David Axelrod, afirmou que o presidente tem uma "agenda clara para levantar a classe média". A campanha do democrata aposta justamente no confronto de suas ideias nas áreas econômica e social com as de Romney como meio de atrair o eleitorado indeciso e independente.

Na CNN, o governador de Maryland, Martin O'Malley, bateu mais duro no risco de a agenda de Romney conduzir o país à mesma lógica econômica do governo de George W. Bush (2001-2009). "Queremos voltar atrás, para as políticas falidas de Bush, que nos levaram à perda de emprego, à recessão, ao déficit público? Ou queremos cavar fundo, como nossos pais e avós fizeram, e investir na educação, na inovação e reconstruir a América para criar uma classe média mais forte e crescente?"

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