Em convenção, Romney tenta reverter desvantagem em relação a democratas

Casa Branca na mira. Reunidos no Estado da Flórida a partir de terça-feira para sua convenção nacional, republicanos tentam coroar candidato em grande estilo, atropelando escândalos recentes e as más notícias trazidas pelas últimas pesquisas de voto

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h00

Desgastado pelo comentário sobre o "estupro legítimo" feito por um candidato ao Senado, o Partido Republicano inicia no dia 28 a convenção na qual Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, será aclamado oficialmente candidato à Casa Branca. O evento de quatro dias em Tampa, na Flórida, dará início ao uso de US$ 186 milhões arrecadados para impedir a reeleição do presidente Barack Obama.

Romney e seu parceiro Paul Ryan, porém, apresentam-se em Tampa castigados pelas pesquisas e pela artilharia democrata.

Os republicanos gastaram entre US$ 175 milhões e US$ 200 milhões na montagem da convenção na Flórida, um Estado-chave para a eleição de 6 de novembro. Nesse terreno, Romney e Obama estão empatados, ambos com 46% das intenções de voto, segundo o site Real Clear Politics. O vencedor levará todos os 29 delegados estaduais para o Colégio Eleitoral, que definirá a eleição.

"Será um grande show, com muitos discursos, para então o país ser inundado pela propaganda de Romney contra Obama", resumiu Thomas Mann, analista do Brookings Institution.

Romney fará sua apresentação apoteótica na quinta-feira para uma plateia de cerca de 50 mil pessoas. Mas subirá ao palco enfraquecido. Recente pesquisa nacional da AP/GfK mostra um empate técnico entre ele e Obama, mas o republicano está em desvantagem nas questões sobre quem seria um melhor governante. Na contagem de delegados no Colégio Eleitoral, com base nas consultas estaduais, ele tem 31 menos do que Obama.

A escolha de Ryan como seu companheiro de chapa neste mês pouco estimulou o eleitor. Identificado como um atuante líder no Congresso em favor do ajuste severo nas contas públicas, Ryan é autor de um projeto de orçamento para 2013 que causou desconfiança entre aposentados. O texto dá munição à campanha de Obama.

Flanco aberto. Outro desafio de Ryan, segundo Mann, é ganhar visibilidade. Trata-se de um político pouco conhecido.

Romney está sob ataque feroz da campanha de Obama, que encontrou na tributação o seu calcanhar de aquiles. Democratas o pressionam a mostrar suas três declarações de imposto de renda anteriores a 2010. Ele já admitiu ter pago alíquota de apenas 13% sobre sua renda - porcentual bastante inferior ao dos 35% aplicados à classe média. Sua resistência em apresentar as declarações provocou rumores de que ele teria registro eleitoral em Massachusetts e fiscal, na Califórnia.

Na convenção, o partido tentará superar esses e outros obstáculos, como a aversão de parte dos republicanos ao fato de Romney ser mórmon. Religiosos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias subirão ao palco com ele, diz o coordenador de sua campanha, Russ Schriefer. Um sucessor de Romney na liderança de uma paróquia será chamado para "falar sobre como é se sentir na pele de Romney".

Passagens da vida familiar, profissional e política de Romney serão destacadas em depoimentos ao vivo e gravações. Em especial, o de atletas que participaram das Olimpíada de Inverno organizadas por ele em Salt Lake City, em 2002.

A cúpula republicana conseguiu pelo menos afastar algumas assombrações da convenção. Ainda assim, segundo Mann, o evento começará amanhã impregnado pela desastrosa frase do deputado federal Todd Akin. No dia 19, ele afirmou que, quando acontece um "estupro legítimo, o corpo da mulher tem mecanismos para se fechar e evitar o processo de gravidez".

Akin foi pressionado por Romney, Ryan e a cúpula do partido a desistir de sua corrida ao Senado. Não desistiu até agora, mas prometeu não pisar em Tampa durante a convenção. Como republicanos escolheram como principal público alvo as mulheres, sua presença causaria embaraço para a aprovação da plataforma republicana, na qual está inscrita a negação total do direito ao aborto.

Numa tentativa de abrandar o desconforto, o carismático governador de New Jersey e presidente da convenção, Chris Christie, negou o próprio valor do documento do partido. "Não me importo com a plataforma. A maior parte dos republicanos não se importa com a plataforma. A maioria deles não sabe dizer o que está escrito nela."

Outra assombração, a candidata a vice-presidente em 2008, Sarah Palin, não foi convidada para discursar na convenção, nem mesmo no comício de hoje de sua facção radical, o Tea Party. Palin tem hotel reservado, mas indicou que não sairá do Alasca nesta semana.

O ex-presidente George W. Bush e o ex-vice-presidente Dick Cheney, aparentemente cientes do potencial de causar constrangimentos, declinaram os convites.

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