EFE/David Fernandez
EFE/David Fernandez

Em crise, Macri busca diálogo com Cristina Kirchner

Para tentar driblar a volatilidade da economia, presidente argentino quer negociar ‘consensos básicos’ para governar

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2019 | 21h39

BUENOS AIRES - O governo do presidente argentino, Mauricio Macri, chamará a senadora e ex-presidente Cristina Kirchner, sua principal rival política, para negociar “consensos básicos” de governabilidade a fim de acalmar os conturbados mercados locais e tentar resgatar o país da grave crise econômica que atravessa, informou nesta segunda-feira o ministro do Interior, Rogelio Frigerio.

Macri ampliou a convocação a um amplo espectro da sociedade argentina, incluindo as igrejas católica e evangélicas, os 24 governadores, as principais entidades empresariais, a Confederação-Geral dos Trabalhadores (CGT) e todos os pré-candidatos à Casa Rosada. 

Os ativos argentinos sofreram com a forte volatilidade nas últimas semanas em razão do aumento da incerteza sobre as eleições de outubro, nas quais Macri buscará a reeleição e Cristina Kirchner também deve competir, embora ainda não tenha confirmado sua candidatura.

“Cristina Fernández de Kirchner representa uma parte importante do eleitorado da Argentina e tem de ser parte dessa mesa”, disse Frigerio para uma rádio argentina.

Na semana passada, Macri convocou a oposição em geral para negociar uma série de acordos depois que a mídia informou que o governo apresentou um pacto com dez pontos para atenuar as preocupações com o futuro político da Argentina.

Os aspectos principais seriam a manutenção do equilíbrio fiscal e a luta contra a inflação, duas frentes em que Macri vem tendo resultados pouco satisfatórios desde que tomou posse, no fim de 2015.

Cristina não se pronunciou publicamente, mas um porta-voz da ex-presidente deixou claro que ela não assinará o documento de dez pontos que o governo já está circulando.

“Se nos convidarem a assinar um documento que dá aval às suas políticas, não vamos fazê-lo, porque a Argentina necessita mudar de rumo”, disse um porta-voz, segundo o jornal Clarín. “Se continuarmos com essa lógica, só teremos mais desemprego e mais pobreza. Além disso, se toda a política argentina se enredar nas políticas do governo estaremos enfraquecendo a democracia, deixando-a sem opção.”

Já o deputado Agustín Rossi, pré-candidato presidencial, adiantou que vai dialogar em torno de uma agenda aberta, rejeitando apoiar o pacote já apresentado pelo governo.

Macri prometeu pobreza zero, e hoje a taxa alcança 32%, superando a herdada de Cristina. Nas últimas semanas, a cotação do dólar atingiu recordes, e a inflação deve chegar a 39% este ano. 

O governo Macri só conseguiu fechar as contas públicas neste ano depois de apelar a um programa de emergência do Fundo Monetário Internacional (FMI). O agravamento da inflação, combinado a uma recessão persistente, abalou Macri nas pesquisas de intenção de voto e deu fôlego às esperanças de Cristina, que enfrenta nove acusações de corrupção na Justiça./ REUTERS

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