Em crise, Venezuela corta investimentos sociais

A PDVSA, a estatal venezuelana do petróleo, reduziu em 59% seus investimentos em desenvolvimento social em 2014 em comparação com o ano anterior - de US$ 13,02 bilhões para US$ 5,32 bilhões, de acordo com o relatório de situação financeira da estatal divulgado ontem. Em comparação com 2013, a queda foi de 69%. A produção de petróleo caiu 6,97% em um ano e a receita líquida da companhia teve uma redução de 42,5%.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2015 | 02h01

Os números incluem os recursos destinados pela empresa para as missões e comunidades e também para programas sociais, planos de investimento social e aportes à Misión Vivienda Venezuela. Ainda de acordo com o relatório, os investimentos em desenvolvimento social no país foram realizados, principalmente, com recursos de fundos do Banco Central.

Os programas sociais patrocinados pela PDVSA são um dos principais projetos do chavismo. Em crise desde 2013, quando o aumento do gasto público corroeu as reservas em dólar da Venezuela, e com a estatal cada vez mais no limite de produção e endividamento, o cenário venezuelano tende a piorar.

"Agora com o preço do barril perto dos 46 dólares é de se esperar que os investimentos sociais caiam mais", disse o economista Gabriel Villamizar.

O lucro da companhia caiu 44,9% no ano passado, estimado em US$ 20 bilhões. Segundo a empresa, isso se deve à queda na exportação de barris de petróleo. A exportação da commodity para a China, com quem a Venezuela tem uma série de acordos de empréstimos em troca de petróleo, aumentou 14,5%. O envio de barris para países do Caribe caiu 5,3%.

Outros indicadores também mostram um cenário de retração nas atividades da empresa, a principal fonte de dólares do governo chavista, em um ano em que o preço do petróleo no mercado internacional caiu quase à metade depois de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ampliar a produção. /EFE

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