Alejandro Ernesto / EFE
Alejandro Ernesto / EFE

Em Cuba, papa diz que reconciliação com EUA é exemplo contra guerra

Temendo uma terceira guerra mundial em etapas, pontífice faz apelo para que reaproximação entre rivais seja seguida ao redor do mundo

FELIPE CORAZZA, ENVIADO ESPECIAL / HAVANA

19 Setembro 2015 | 17h44

HAVANA - O papa Francisco desembarcou na tarde deste sábado, 19, no aeroporto internacional José Martí, em Havana, e foi recebido pelo presidente cubano, Raúl Castro. Em seu discurso de chegada, o pontífice pediu que a reaproximação entre Cuba e Estados Unidos seja um exemplo de reconciliação para evitar uma "terceira guerra mundial em etapas" no mundo. 

"O mundo precisa de reconciliação, principalmente num momento de terceira guerra mundial em etapas em que estamos vivendo", afirmou o papa. 

No discurso, Francisco também pediu que Raúl transmitisse "sentimentos de especial consideração e respeito" ao irmão Fidel Castro, líder da Revolução Cubana.

Segundo apurou o Estado, apesar de não haver previsão na agenda oficial, Francisco deve se encontrar com Fidel na noite de hoje ou no fim da tarde de amanhã.

Mediador do diálogo que levou à retomada da relação bilateral entre Cuba e os Estados Unidos, o papa celebrou o acordo anunciado pelos presidentes Raúl e Barack Obama no dia 17 de dezembro. "Temos sido testemunhas de um acontecimento que nos enche de esperança: o processo de normalização das relações entre dois povos, após anos de afastamento".

Francisco sinalizou novamente um pedido pela queda do embargo econômico contra a ilha ao conclamar "os responsáveis políticos a prosseguir por este caminho e a desenvolver todas as suas potencialidades". 

O fim do embargo é um dos pedidos centrais do regime cubano na negociação para normalização plena da situação em relação a Washington, mas é uma ação que depende de votação no Congresso dos Estados Unidos.

Lembrando que o caminho que levou à abertura foi iniciado pelo papa João Paulo II, que visitou a ilha em 1998, Francisco comparou as declarações do então pontífice a escritos de José Martí, herói nacional cubano. 

O líder católico afirmou que Cuba tem "vocação natural" para "ser ponto de encontro para que todos os povos se reúnam na amizade, como sonhou José Martí". E continuou: "Este mesmo desejo foi exprimido por São João Paulo II com seu ardente apelo para que 'Cuba, com todas as suas magníficas possibilidades, se abra ao mundo e o mundo se abra a Cuba'". 

Após a chegada e a recepção no aeroporto, o papa iniciou o cortejo pelas ruas da cidade a caminho da Nunciatura Apostólica, onde ficará hospedado durante a etapa da viagem na capital.

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