Em Cuba, Chávez dá início a nova fase no tratamento médico

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chegou na madrugada de ontem a Cuba para dar continuidade ao tratamento contra o câncer. Mas, ao contrário das mais de dez visitas médicas que fez a Havana nos últimos 18 meses, desta vez Chávez foi recebido com discrição absoluta, sem fotos e com silêncio quase total na imprensa cubana.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h07

Segundo a solicitação enviada pela presidência ao Congresso de Caracas, o líder bolivariano será submetido a sessões de oxigenação em uma câmara hiperbárica. O procedimento seria parte do tratamento contra o câncer na região pélvica.

A imprensa de Havana, controlada pelo governo, veiculou apenas uma breve nota informando os cubanos sobre a chegada do dignatário de Caracas. O texto, inicialmente publicado no Granma - jornal do Partido Comunista Cubano (PCC) - e reproduzido em vários diários e portais, informava que Chávez chegara a Cuba "para dar continuidade ao tratamento médico, que incluirá várias sessões de oxigenação hiperbárica".

Desde junho de 2011, o presidente venezuelano esteve mais de dez vezes em Cuba para tratamento médico. Em todas as visitas, recebeu ampla atenção da imprensa local, com fotos do presidente cubano, Raúl Castro, recebendo-o no aeroporto.

Até ontem, nenhuma imagem de Chávez embarcando em Caracas ou ao chegar em Havana tinha sido divulgada. A última ida do venezuelano a Cuba fora há seis meses.

Esta é a primeira viagem do presidente venezuelano ao exterior desde sua reeleição, em 7 de outubro. Ao longo da campanha, Chávez afirmou que havia se recuperado do câncer e estava bem de saúde.

Nos últimos tempos, porém, o líder bolivariano "sumiu": há quase duas semanas não aparece na televisão venezuelana e desde seu discurso da vitória na varanda do Palácio Miraflores, em outubro, não é visto em público.

Sob Chávez, a Venezuela tornou-se o principal aliado estratégico e maior parceiro comercial de Cuba. Caracas, por exemplo, fornece diariamente cerca de 100 mil barris de petróleo aos cubanos, pagos em parte com serviços médicos e pedagógicos.

O manto de silêncio que o governo venezuelano colocou sobre a doença de Chávez ajudou a fomentar todo tipo de especulação sobre a saúde do presidente. Vários analistas afirmam que a decisão de se tratar em Cuba tem muito mais a ver com política do que com medicina: em Havana, Chávez pode manter a imprensa longe das informações sobre o tratamento. / EFE

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