Em Cuba, comércio cresce ao redor de missão

Várias negócios formais e informais florescem em torno da Escritório de Interesses dos EUA em Havana, que logo se converterá em embaixada.

O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2015 | 02h03

Em um passo histórico, Washington e Havana anunciaram que reabrirão suas embaixadas no dia 20.

Essa espécie de feira comercial na região tem seu epicentro no chamado "parque dos suspiros". Nele, os cubanos aguardam antes de entrar para as entrevistas para conseguir um visto americano na Seção, cujo prédio ocupa um imponente bloco de concreto e janelas de seis andares. Ele está situado no famoso Malecón de Havana.

Centenas de cubanos - provenientes de toda a ilha - esperam por horas todos os dias nesse pequeno parque, que tem apenas alguns escassos bancos. Quase todos, na verdade, permanecem em pé ou sentados nas calçadas sob um sol tropical escaldante.

O nervosismo impera no lugar, uma vez que é alta a possibilidade de o visto ser negado - por isso, os cubanos o batizaram de "parque dos suspiros".

Uma recusa implica a impossibilidade de viajar para os EUA e visitar a família, sem falar nos US$ 160, gastos com a solicitação, que são perdidos. O valor equivale a oito meses de salário na ilha. Além disso, é comum gastar outros US$ 20 para pagar alguém para preencher o complicado formulário na internet, no país onde o acesso à rede ainda é muito limitado.

Entre os negócios que floresceram nos últimos anos em torno da futura embaixada há pontos de venda de comida, escritórios para preencher formulários, locais para guardar bolsas e celulares, que são proibidos namissão, e até quartos para alugar para quem precisa passar a noite ou descansar algumas horas depois de uma longa viagem, vindos do interior da ilha.

Há também um exército de "parqueadores", manobristas que ganham gorjetas e tomaram as ruas próximas da praça. "Isso é muito melhor que um emprego no Estado", conta Roberto Campo, que alterna seu trabalho de zelador em uma escola com o de manobrista na região. / AFP

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