Em Cuba, papa pede justiça, liberdade e reconciliação para 'todos os cubanos'

As primeiras palavras do papa Bento XVI, ao desembarcar às 14h30 de ontem (16h30 em Brasília) no aeroporto de Santiago de Cuba foram de encorajamento e solidariedade aos cubanos. Ao longo de sua fala, pediu justiça e liberdade, além de referir-se aos presos e às "justas aspirações" dos cubanos. Enquanto discursava, dissidentes denunciavam uma onda de detenções e cortes na comunicação (mais informações na página A13).

SANTIAGO DE CUBA, O Estado de S.Paulo

27 Março 2012 | 07h39

"Carrego no meu coração as justas aspirações e legítimos desejos de todos os cubanos, onde quer que se encontrem, seus sofrimentos e alegrias, suas preocupações e desejos mais nobres, e de modo especial dos jovens e idosos, adolescentes e crianças, enfermos e trabalhadores, presos e seus parentes, assim como os pobres e necessitados", disse Bento XVI diante do presidente Raúl Castro. Há três dias, durante viagem para o México, Bento XVI afirmara que o comunismo "já não funciona em Cuba".

O papa acrescentou que a Virgem do Cobre (mais informações na página A13) deu alento à defesa e promoção de tudo que dignifica a condição humana e seus direitos fundamentais. O papa adiantou que pedirá à Virgem "sua intercessão para que guie os destinos dessa amada nação pelos caminhos da justiça, paz, liberdade e reconciliação".

Raúl afirmou que a Constituição cubana garante plena liberdade aos cidadãos e mantém boas relações com as religiões. "Estamos satisfeitos com as estreitas relações entre a Santa Sé e Cuba que transcorreram sem interrupção, durante 76 anos, sempre com base no respeito mútuo", disse o irmão e sucessor de Fidel Castro, sem mencionar as dificuldades enfrentadas pela Igreja nas primeiras décadas da Revolução, quando as escolas católicas foram nacionalizadas, o acesso aos meios de comunicação foi proibido e dezenas de sacerdotes tiveram de deixar o país.

Bento XVI salientou que "profundas raízes cristãs... moldam a identidade mais profunda da alma cubana", mas observou que ainda há muitos aspectos em que se pode e se deve avançar. Ao pedir bênçãos divinas para os cubanos, "em particular para os que se sentem desfavorecidos, os marginalizados e todos os que sofrem no corpo e no espírito", Bento XVI disse estar convencido de que "Cuba, nesse momento particularmente importante de sua história, já está olhando para o futuro e se esforça para renovar e alargar seus horizontes".

Bento XVI lembrou que a visita de seu predecessor, João Paulo II, 14 anos atrás, deu "novo vigor" à Igreja na ilha e inaugurou uma etapa de "maior colaboração e confiança" nas relações entre Igreja e Estado.

Raúl recebeu o papa ao pé da escada do jato da Alitalia que o levou do México a Cuba. Vestido em trajes civis, o presidente cumprimentou o papa e caminhou ao lado dele num tapete vermelho, até um toldo improvisado ao lado da pista. Bento XVI embarcou então no papamóvel em direção à sede do arcebispado, no centro de Santiago de Cuba. Centenas de pessoas aplaudiram a passagem do papa. O governo decretou feriado na cidade.

Durante a missa, Bento XVI evitou temas políticos na homilia. Na parte final do sermão, ele conclamou os que vivem "de Cristo e para Cristo, com as armas da paz, perdão e compreensão, lutem para construir uma sociedade aberta e renovada". / AFP, AP, EFE e REUTERS

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