Joedson Alves/EFE
Joedson Alves/EFE

Em Cúpula, Biden patrocina fundo para mídia e Bolsonaro acusa imprensa de fake news

Governos dos EUA e do Brasil mostram que estão fora de sintonia

Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2021 | 21h26

WASHINGTON - Os governos de Joe Biden e de Jair Bolsonaro mostraram que estão fora de sintonia durante a Cúpula pela Democracia, organizada pelo americano nesta quinta-feira. Enquanto o presidente dos Estados Unidos prometeu investimento para fortalecer a imprensa e proteger jornalistas investigativos, o brasileiro acusou a mídia tradicional de propagar desinformação.

No discurso de abertura de Biden, o americano prometeu capital para um fundo internacional para mídia de interesse público, para financiar a imprensa independente ao redor do mundo. Os EUA também se comprometeram a, através da agência USAID, criar um novo fundo de defesa para ajudar na proteção de jornalistas investigativos que são alvos de ações judiciais e campanhas de difamação.

"Uma mídia livre e independente é o alicerce da democracia. É assim que o público se mantém informado e como os governos são responsabilizados. E, em todo o mundo, a liberdade de imprensa está ameaçada", disse Biden.

Bolsonaro, por sua vez, atacou a imprensa profissional no documento que enviou à Casa Branca, no qual assumiu compromissos de defesa da democracia brasileira -- entre eles, a garantia de eleições livres.

No tópico sobre defesa da liberdade de expressão, o governo brasileiro escreveu: "Reconhecendo os desafios relacionados à proliferação de desinformação, em especial pela grande parte da mídia tradicional, o governo continuará a salvaguardar a liberdade de expressão, inclusive na internet, de acordo com a legislação nacional e padrões internacionais.". 

A exemplo do ex-presidente americano, Donald Trump, que foi banido das plataformas online após o ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro, Bolsonaro usou a presença na cúpula para defender o ambiente de "internet livre". O governo Biden, por sua vez, tem cobrado empresas como o Facebook a se posicionar de maneira mais contundente quando há disseminação de desinformação online.

Bolsonaro costuma alegar que há censura e perseguição por parte das plataformas de redes sociais quando é realizada a remoção de conteúdo comprovadamente falso. Os aliados do presidente também acusam o Supremo Tribunal Federal de promover uma perseguição contra o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos.

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