Rodrigo Buendia /AFP
Rodrigo Buendia /AFP

Em cúpula com árabes, Maduro defende alta no preço do petróleo

Afetado pela queda no preço da commodity, líder venezuelano pressiona produtores para recuperar receitas e amenizar crise 

O Estado de S. Paulo

11 de novembro de 2015 | 17h33

RIAD - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pediu ontem durante a reunião de cúpula dos Países Árabes e da América do Sul a criação de uma fórmula que permita o estabelecimento de um preço justo para o barril de petróleo. A Venezuela tem sofrido uma queda drástica nas receitas em moeda forte do país e um agravamento da crise inflacionária e de escassez de produtos básicos desde que o preço da commodity começou a cair em meados do ano passado. 

“Temos grandes expectativas e somos otimistas. Acredito que no curto prazo podemos chegar a uma fórmula que nos permita criar políticas de estabilidade e de um preço justo do petróleo no mundo”, disse Maduro em seu discurso na reunião. “Um dos efeitos positivos desta cúpula é avançar na construção de uma fórmula que permita confrontar a instabilidade negativa provocada pela baixa dos preços de nosso principal produto de exportação.”

Ainda de acordo com o presidente venezuelano, ainda há muito a discutir sobre o tema, mas ele ressaltou a necessidade de rediscutir os preços do barril. “Somos nós que investimos e produzimos o petróleo deste planeta. Outros não podem definir seus preços”, acrescentou Maduro.

Ao longo da cúpula, o líder chavista se reuniu com diversos chefes de Estado e de governo de países árabes. A iniciativa de Maduro foi apoiada na reunião pelo presidente equatoriano, Rafael Correa. Equador e Venezuela são os únicos países sul-americanos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que, liderada pela Arábia Saudita em uma tentativa de competir com o gás de xisto produzido nos EUA, decidiu aumentar a produção no ano passado para baixar o preço do barril.

Maduro, no entanto, evitou responsabilizar os produtores de petróleo pela queda no preço do barril, hoje em torno de US$ 42, e culpou o “senhor mercado e a especulação” pela variação. O Fórum América do Sul - Países Árabes foi criado no Brasil em 2005 e as outras reuniões ocorreram em Doha, em 2009 e em Lima, em 2012. 

Tanto Maduro quanto Correa se reuniram com o rei saudita, Salman bin Abdelaziz, para discutir a questão dos preços do petróleo. Segundo o vice-ministro equatoriano de Relações Exteriores, Xavier Lasso, a reunião foi muito cordial e o monarca se mostrou mais aberto quanto à possibilidade de reduzir a produção de petróleo. / EFE

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