Marcos Lopes/Ministério da Saúde
Marcos Lopes/Ministério da Saúde

Em cúpula do G-20 sobre saúde, líderes pedem melhor distribuição de vacinas

Necessidade de cooperação internacional e intensificação de esforços para garantir o acesso universal a vacinas foram destaques nos primeiros discursos do encontro

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2021 | 12h04

Líderes das maiores economias do mundo cobraram, nesta sexta-feira, 21, uma melhor distribuição das vacinas contra o novo coronavírus, durante a Cúpula Global da Saúde do G-20. Chefes de Estado e a representantes de organizações internacionais discutiram formas de ampliar o acesso a vacinas e expuseram a importância da imunização coletiva para superar a pandemia.

O evento está sendo realizado em formato virtual, sob chancela da Itália - que preside o G-20 - e da Comissão Europeia, e é considerado como a primeira grande cúpula a se concentrar em maneiras de superar a crise de saúde e evitar desastres futuros deste tipo.

Durante o discurso de abertura, o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, conclamou a comunidade internacional a trabalhar para garantir o acesso universal a vacinas. "Enquanto nos preparamos para a próxima pandemia, nossa prioridade precisa ser a certeza de que todos superaremos a atual juntos. Precisamos vacinar o mundo, e fazê-lo rápido", disse, destacando que 85% das doses aplicadas no mundo até aqui foram em países ricos. "Essas disparidades são inaceitáveis".

Por sua vez, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que o "pior pode estar por vir" na pandemia, caso a comunidade internacional não intensifique os esforços para garantir o acesso universal a vacinas.

A distribuição da vacina também foi tema central entre representantes de países que ainda tentam intensificar suas campanhas nacionais de imunização. O presidente da Argentina, Alberto Fernández, destacou que a América Latina enfrenta um dos períodos mais críticos da pandemia e pediu que os países ricos intensifiquem a cooperação global. Enquanto isso, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, criticou o que ele chamou de "monopolização" de vacinas por um grupo pequeno de nações.

O G-20 parece disposto a apoiar licenciamentos e transferências de tecnologia que permitam um aumento rápido na produção de vacinas, mas se não deve endossar a iniciativa dos Estados Unidos e outros países que pede a quebra de patentes de vacinas. O presidente americano, Joe Biden, não consta da lista de oradores do evento.

Este posicionamento vai de encontro ao proposto por Draghi, que defendeu a suspensão de restrições a exportações dos imunizantes e disse apoiar a quebra de patentes, desde que de forma "temporária e direcionada". Para ele, é provável que sejam necessárias novas rodadas de vacinação e é importante garantir que o mundo esteja vacinado para evitar o recrudescimento da pandemia.

Investimento

O premiê italiano anunciou uma doação de mais de 300 milhões de euros (R$ 1.942.055.242,20) à iniciativa Covax facility, da Organização Mundial de Saúde (OMS), que distribui imunizantes a nações de baixa e média renda. 

A representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) na cúpula também comentou uma proposta de US$ 50 bilhões para combate à covid-19, anunciada hoje. O plano prevê que o recurso seja destinado para garantir 40% da população global vacinada até o fim deste ano e 60% até o primeira metade de 2022. "Uma organização forte e coordenada é o caminho para a saída dessa crise sem precedentes", argumentou.

A expectativa é que, ainda durante o dia, os principais laboratórios prometam o fornecimento de suprimentos de vacinas com descontos para nações mais pobres para acabar com a pandemia./ REUTERS e AGÊNCIA ESTADO

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